O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) deve decidir este mês sobre o tombamento de um terreno de 20 mil m² no Itaim Bibi, bairro de alto padrão em São Paulo. Foi essa a previsão feita pela presidente do conselho, Fernanda Bandeira de Mello, durante reunião no dia 5 de dezembro, segundo moradores da região.
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| Quarteirão visto de cima |
A decisão pode encerrar uma disputa entre moradores da região e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho. A secretaria quer ceder a área a alguma incorporadora em troca da construção de 200 creches pela cidade. Segundo o governo municipal, São Paulo tem um déficit de mais ou menos 125 mil vagas de creches.
Organizados no Movimento em Defesa do Quarteirão da Cultura, moradores defendem o tombamento da área. "É o único quarteirão que guarda as características da formação do bairro, na década de 1950", argumenta a arquiteta Vanessa Kraml, que elaborou estudo apresentado ao conselho. Vanessa foi uma das muitas crianças que costumava trocar gibis na biblioteca Anne Frank, que parte do conjunto. Outro argumento a favor do tombamento é o fato de o quarteirão preservar características de sua destinação original: uma área do convênio escolar.
Atualmente o quarteirão abriga área verde, duas escolas, unidade básica de saúde, biblioteca, teatro, Centro de Apoio Psicossocial e um prédio da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
A câmara de vereadores aprovou uma lei que autoriza a venda do terreno por licitação. A promessa é que os equipamentos públicos sejam realocados no mesmo terreno em um prédio mais verticalizado e acessível.
A incorporadora JHS recebeu autorização da prefeitura para fazer estudos preliminares sobre o uso do terreno. A empresa está construindo no único terreno privado do quarteirão o Edifício Vitra, uma torre residencial do arquiteto Daniel Libeskind. As unidades chegam a custar 20 milhões de reais.
A verticalização do Itaim Bibi não foi acompanhada por uma melhora significativa de infraestrutura, o que trouxe problemas como o aumento dos congestionamentos. A professora da FAU Mackenzie Ivana Bedendo lembra que faltam estudos sobre o impacto que possíveis mudanças no quarteirão trariam ao bairro. "Sugiro abrir um concurso público para levar em consideração o que o município e a população estão querendo", diz Ivana. "É uma área muito utilizada pelas pessoas do bairro e de grande interesse da iniciativa privada e, portanto, alterações deveriam ser estudadas e projetadas por arquitetos e urbanistas".
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| Entrada da biblioteca |
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| Entrada da Unidade Básica de Saúde |
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| Fachada do teatro |