Rigor de projeto e de execução são fundamentais para o sucesso do tratamento acústico na pós-ocupação de locais pré-existentes. A avaliação é do arquiteto Milton Granado, que ministrou palestra no 2º Seminário Soluções em Tratamento Acústico, promovido pela Vibrasom e realizado em São Paulo no dia 26 de agosto.
Segundo o arquiteto, o primeiro passo para trabalhar na ocupação de locais pré-existentes é a definição do nível de exigência para vedação acústica que o cliente quer, processo seguido por um levantamento minucioso sobre o projeto executivo, além de toda a vida pregressa do prédio. "A partir daí é estabelecido um critério de divisórias, de portas etc que atendem àquele nível de exigência do cliente. É importante definir essa exigência porque às vezes o cliente diz que não quer ouvir nada, mas então a obra fica muito cara e no final do projeto ele tira uma placa que não podia, por exemplo", comenta Granado.
O levantamento criterioso da situação do local também define as condições do projeto que será implantado, levando-se em consideração as utilidades que estão instaladas, sendo que muitas vezes nem todas estão funcionando corretamente.
Outras variáveis
Se no que diz respeito à acústica arquitetônica a maior preocupação é com relação aos aspectos quantitativos com foco no conforto do usuário, quando o projeto se refere à acústica de salas de espetáculo as preocupações são outras. A ênfase fica nos aspectos qualitativos, tendo como foco a qualidade sonora da sala. Tempo de reverberação, entre outros parâmetros objetivos, tornam-se as preocupações predominantes em relação ao primeiro caso, que seriam o nível de ruído, vibrações e poluição sonora.
As salas de espetáculo são divididas em predominantemente musicais, mistas e predominantemente destinadas à palavra falada. "Uma sala predominantemente de um tipo dificilmente vai se prestar bem com outra função", afirma o arquiteto Lineu Passeri, mestre e doutor em acústica arquitetônica pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo).
Segundo Passeri, para se atingir a qualidade acústica da sala devem ser considerados dois tipos de atributos: os subjetivos e os objetivos. Entre os primeiros estão fatores como audibilidade, vivacidade, calor, brilho, clareza, definição, intimidade, envolvimento, impressão espacial, timbre e conjunto. Já os parâmetros objetivos são mensuráveis e derivam da resposta impulsiva da sala: tempo de reverberação, early decay time (decaimento nos primeiros 10dB) e definição entre eles.
O projeto acústico de uma sala deve, de acordo com Passeri, levar em conta a caracterização do entorno, a determinação de valores mínimos de isolamento necessários, a verificação da relação da sala com os outros ambientes de apoio e acesso e a solução de isolamento para os componentes do edifício.