Arquiteto Ryue Nishizawa visita São Paulo
Escritório japonês Sanaa participa de mostra no Museu de Arte Moderna com o projeto Flower House, que será construído na Suíça
Esteve de passagem pelo Brasil entre os dias 3 e 4 de abril o arquiteto japonês Ryue Nishizawa, do escritório SANAA, sediado em Tóquio. Considerado um dos mais importantes do Japão hoje, o SANAA, fundado em 1995 por Nishizawa e sua mentora, a arquiteta Kazuyo Sejima, já concluiu obras nos Estados Unidos, na Espanha, na Alemanha e na China, além dos vários projetos edificados no Japão.
Nishisawa veio a São Paulo por iniciativa da Fundação Japão e do MAM (Museu de Arte Moderna), que organizam a mostra "Quando vidas se tornam forma: diálogo com o futuro Brasil-Japão" em comemoração ao centenário da imigração japonesa. A exposição abre dia 10 de abril no MAM e tem curadoria de Yuko Hasegawa, do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio.
Um dos compromissos do arquiteto no Brasil foi a realização de uma palestra na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), em que apresentou uma série de projetos com o intuito de "revelar seus ideais em termos de arquitetura". A atitude discreta e o tom baixo da voz não disfarçam a inquietude do arquiteto de 41 anos, formado pela Universidade Nacional de Yokohama.
Antes da apresentação, Nishizawa teve um breve encontro com a reportagem de AU. A seguir, trechos da entrevista:
É a primeira vez que vem a São Paulo? Já esteve no Brasil antes?Não, nunca estive no Brasil.
Qual era sua expectativa e o que você pensa do que viu até agora?Gostei do que vi. Visitei a casa de vidro de Lina Bo Bardi e a marquise do Ibirapuera.
Você escolheu ver essas obras especificamente?Não.
Você declarou a um website (designboom.com) que Niemeyer é um de seus arquitetos prediletos, assim como Mies van der Rohe e Le Corbusier...Sim, entre tantos outros, esses são alguns dos meus prediletos.
É possível notar a influência de Mies em seu trabalho pela leveza das estruturas.Não pela leveza, mas sim, fui muito influenciado pela obra de Mies van der Rohe
Sobre o que será sua apresentação hoje?Vou apresentar nove trabalhos recentes e novos do escritório.
Alguns dos trabalhos de maior evidência do Sanaa são o Pavilhão do Vidro de Toledo, em Ohio, nos Estados Unidos, e o novo Museu de Arte Contemporânea de Nova York. Sim. Toledo é uma cidade bastante conhecida por seu artesanato com vidro e quis um museu dedicado a isso. Próximo do Museu de Arte de Toledo havia uma área verde que resolvemos aproveitar para implantar o edifício, um pavilhão de vidro, concebido como se fosse formado por bolhas de sabão daí suas paredes curvas e móveis, que permitem a transformação do espaço interno a qualquer momento. Também não há confronto entre interior e exterior: o verde do lado de fora se funde ao interior do museu e vice-versa. O pavilhão se transforma em um espaço público, porque seu interior é completamente visível pelo lado de fora.
Já o museu em Nova York é opaco e vertical...Usamos no Museu de Arte Contemporânea de Manhattan um revestimento feito de malha de alumínio anodizado sobreposta a uma pele de alumínio corrugado. O resultado conferiu ao edifício um aspecto embaçado. Quanto à verticalidade, nós construímos menos do que é permitido na região, apenas sete andares, e deslocamos os pavimentos de forma a obter área nas lajes para terraços e para iluminação zenital. Por isso o prédio parece um empilhamento de caixas de tamanhos diferentes. O térreo, entretanto, é transparente para ser uma continuidade da cidade, da rua.
Em quais projetos o Sanaa está envolvido agora?Estamos trabalhando em um centro estudantil para uma universidade em Lausanne, na Suíça, e em uma casa que será construída também na Suíça. Esse projeto, a Flower House, é que está na mostra do Museu de Arte Moderna aqui em São Paulo.
Como é a Flower House?A idéia é fazer não uma casa com jardim, mas um jardim com casa, ou seja, a construção tem de ficar oculta no jardim. Em termos de planta, os espaços interior e exterior se misturam. Não existe um prédio, mas uma continuidade do jardim. O que sustenta a cobertura é um material acrílico bastante espesso, mas leve. Não existem pilares.
A Casa-Flor, em que os ambientes se distribuem como pétalas em torno de um jardim central, parece ser o ápice da imaterialidade em arquitetura resta aguardar a conclusão para ver. Ou não.
Por Simone Capozzi, editora da revista AU |  |  |
| Museu de Arte Contemporânea do Século 21 (1999-2004), Kanazawa, Japão |
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| Rolex Learning Center (2005 - em execução), Lausanne, Suíça |
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| Flower House (2007 - em execução), Suíça |
foto da home-page: Erico Marmirolifotos dos projetos: Saana