Os primeiros códigos de programação do sistema Archicad foram inseridos em uma calculadora com 64 kb de RAM, na Hungria, em 1982. A intenção era criar um programa 3D para elaboração do projeto de uma nova usina nuclear, e certificar que não haveria problemas na execução - atrelado ao bloco comunista, o país não poderia recorrer aos capitalistas. Com o desenvolvimento do programa, que não demandava alta capacidade de processamento, a Graphisoft, empresa responsável pela criação do sistema, passou a atender os arquitetos, público ignorado pelos softwares que exigiam computadores poderosos e investimentos altos.
A introdução da computação na arquitetura ocorreu nos anos oitenta, revolucionando o processo de criação, projeto e até mesmo a concepção de espaço. Outra passo significativo foi a integração da tecnologia BIM (Building Information Modeling) ao programa Archicad. Mas mesmo com tais inovações, o presidente da empresa húngara, Dominic Gallello considera que "há forte resistência de profissionais de todo o mundo em relação ao sistema".
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Gallello conversou com a reportagem da PINiweb durante sua visita ao Brasil entre os dias 17 e 20 de junho. O País representa um significativo mercado para a Graphisoft, sendo responsável por mais de 5 mil, dos 170 mil downloads no mundo, do BIM Experience Kit -pacote com um trial do Archicad e um vídeo sobre o BIM (Building Information Modeling). O setor educacional também demonstrou grande interesse pela empresa. Dos 22.939 estudantes registrados no mundo, 4% são brasileiros. A Alemanha tem o maior percentual de registros, com 11%, e os EUA, com 10%, ocupam o segundo lugar.
Confira entrevista exclusiva com Dominic Gallello:
Como o sistema BIM (Building Information Modeling), ao qual o ArchiCAD é integrado, influencia o processo de construção?
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| O Teatro Jimbocho, Tóqui (Japão), foi projetado com o Archicad |
O BIM influencia dramaticamente na construção. O sistema permite que a arquitetura seja integrada à engenharia, inclusive a sustentável. Um desenho 3D ajuda o arquiteto a ser o artista que deseja. E não é apenas no design, mas também no processo de execução e como juntar todas as partes do projeto. É interessante ilustrar com um exemplo: A Nikken Sekkei, uma das maiores empresas de arquitetura do Japão, com cerca de 650 arquitetos, foi responsável pelo projeto do teatro Jimbocho, em Tóquio. É uma estrutura sexy, desenhada em três meses. O projeto é bem complexo, há cortes, muitas peças, é como um origami.
O desenho em 3D eliminou desperdícios de material e retrabalhos, pois não houve modificações no projeto. A obra foi entregue em 15 meses. Esses fatores são importantes em uma cidade como Tóquio. Por essas razões, se fosse apenas um cubo, o custo seria similar. Em termos de controle de custo, na velocidade e em considerar os mais diversos processos construtivos, o BIM possui um enorme impacto.
Os arquitetos passaram a ter diversas preocupações e, com isso, construir obras cada vez menores, com menos responsabilidades, por questões de recursos financeiros. O BIM oferece ferramentas para que o arquiteto valorize seu trabalho. O sistema pode especificar para o cliente quanto custará a obra durante o desenvolvimento do projeto, sem esperar três meses até a construtora fornecer os dados. Com isso, há a possibilidade de mudar o projeto mais facilmente e mostrar ao cliente o que essas modificações causarão. Pela visualização espacial e informações, o desenho do arquiteto também não precisa de grandes modificações na execução, a construtora não perde tempo procurando soluções ou enfrenta problemas no canteiro. Um exemplo típico são os sistemas de ar condicionado, que geram diversos problemas na maioria dos projetos.
Como o senhor avalia a transição de uso do CAD para o sistema BIM?
Essa migração ocorre nos países, alguns de forma mais ou menos acentuada, por diferentes razões. Há a razão cultural. Na Rússia, há um verdadeiro boom de nossos produtos. A situação na China é similar. Eu acho que para eles o 3D é algo natural. A pressão de mercado e a educacional também são outros fatores. Nos EUA, a associação de arquitetos é categórica ao indicar 3D. Além disso, as empresas de construção estão usando o chamado 5D - 3D, mais custo e prazo. As construtoras utilizam essa ferramenta para apresentar os projetos, e o arquiteto não pode ficar no 2D. Fizemos uma pesquisa com nossos usuários e descobrimos que nenhum considera que o 2D é suficiente.
A Graphisoft está no mercado há 25 anos. Há resistência dos profissionais?
O Achicad foi, desde o começo, um programa desenvolvido por arquitetos para arquitetos. E é difícil explicar a flexibilidade e a liberdade que os arquitetos encontram no processo criativo de uma obra com o software. Na última semana, estava em Las Vegas e o proprietário de um grande escritório de arquitetura me perguntou se a simulação 3D realmente funcionava. Nós temos milhões de projetos que nossos clientes conceberam com o programa ao redor do mundo. Eles vão desde casas de família a grandes empreendimentos, de hospitais a centros de pesquisas. Estamos falando de um local onde se executa diversos tipos de obras, muitas suntuosas, e há a impressão de que essa possibilidade tecnológica não funciona. Eu não estaria trabalhando em algo que não acredito.
Os sistemas 3D para projetos começaram nas usinas de energia e de processamento, nos anos 1970 e 1980. As indústrias mecânicas, aeronáuticas e automobilísticas implementaram o programa entre 1980 e 1990. Hoje, esses sistemas custam pouco e proporcionam alta eficiência nos projetos.
Quais são as inovações do Archicad 12?
Destaco três grandes novidades. Tecnologicamente, seremos a primeira aplicação BIM a suportar processadores multicore - com dois ou quatro núcleos. Isso provocará uma grande melhora na performance do software, os processos serão instantâneos. Não é apenas velocidade, mas agilidade nos processos de design 2D ou 3D. os elementos construtivos também poderão ser moldados, editados. O arquiteto poderá mudar uma pequena peça. Outra modificação é que a visualização no sistema 3D de informações é um pouco difícil e, por isso, inserimos os dados do projeto, como dimensões e ângulos entre elementos.