O primeiro Encontro Regional do Docomomo-Rio, dedicado ao tema Panoramas do Moderno Fluminense: Presente e Futuro, aconteceu nos dias 12 e 13 de setembro no Fórum de Ciência e Técnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Esse primeiro encontro permitiu às instituições públicas e aos centros universitários de pesquisa conhecer e debater o trabalho desenvolvido em favor das obras do movimento moderno. A iniciativa foi assumida com entusiasmo pelos cem participantes, não somente do Estado do Rio de Janeiro, mas também provenientes de outras regiões do País.
No primeiro dia, depois da palestra de abertura ministrada por um dos mestres do Movimento Moderno carioca, Marcos Konder, foi apresentado um seminário em duas sessões. A primeira se dedicou às instituições nacionais e regionais - Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), Sedrepahc (Secretaria Extraordinária de Patrimônio Cultural), Prefeitura de Niterói e Prefeitura de Nova Iguaçu -, que mostraram trabalhos de preservação do patrimônio arquitetônico moderno fluminense.
O Iphan, além da lista de edifícios mostrados, divulgou os principais protagonistas do Movimento Moderno carioca, com apresentação de dois DVDs, um sobre a palestra de Oscar Niemeyer no 27o Congresso Brasileiro de Arquitetos de 2003, e o documentário de Ana Maria Magalhães sobre Affonso Eduardo Reidy. Carlos Fernando de Andrade, Superintendente Regional do Iphan, anunciou também a apresentação do edifício do Ministério da Educação e Saúde, projeto de Lucio Costa e Niemeyer com consultoria de Le Corbusier, à candidatura de Patrimônio Cultural da Humanidade na Unesco.
Foi interessante a exposição de Paulo Vidal, Secretário do Patrimônio da Prefeitura de Nova Iguaçu, que mostrou o trabalho de conservação, não somente dos prédios isolados, mas das estruturas urbanas e territoriais, numa articulação entre o resgate do passado e a perspectiva futura desta região fluminense.
À segunda sessão compareceram pesquisadores (graduandos e pós-graduandos) dos centros universitários locais: Ana Luiza Nobre, da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Luiz Felipe Machado, da Universidade Estácio de Sá, e Marlice Azevedo, da Universidade Federal Fluminense.
Apresentou-se ainda o trabalho de conservação dos documentos e objetos contidos no Museu Dom João VI, na Escola de Belas Artes da UFRJ. Pôsteres de alunos e professores receberam prêmios outorgados pelo evento. Dentre os convidados especiais, estiveram o diretor do portal Vitruvius, Abílio Guerra, o Coordenador do Docomomo Brasil, Carlos Eduardo Comas, e a filha de Lúcio Costa, Maria Elisa Costa, que falou da história do Park Hotel, em Nova Friburgo.
Nas conclusões do evento, Maria Lobo e Roberto Segre explicaram o programa do Seminário Nacional do Docomomo, que acontecerá nos dias 1 e 4 de setembro de 2009, no Rio de Janeiro. Este vai ser dedicado à lembrança do Congresso de Críticos de Arte que aconteceu no Brasil, em 1959, sob iniciativa de Juscelino Kubitschek e organizado por Mario Pedrosa. O objetivo é debater sobre o relacionamento entre teoria, cidade, arquitetura e artes plásticas.
Fez parte das atividades do seminário uma viagem à Nova Friburgo para realizar uma visita ao Park Hotel de Lucio Costa, obra paradigmática do Mestre, e desde alguns anos abandonado e em péssimo estado de conservação. Além da visita ao prédio se organizou um debate sobre as perspectivas futuras da sua possível utilização, que permitam a sua manutenção uma vez que seja restaurado. A visita contou com a presença de Maria Elisa Costa e Maria Helena Flores Guinle, herdeira da família que solicitou nos anos 40 o projeto ao Mestre. Foi emocionante verificar a finura do detalhamento e o tratamento dos materiais locais - madeira e pedra -, integrados em uma expressão formal e espacial totalmente contemporânea. Temos a esperança que as instituições nacionais e locais se sensibilizem com a necessidade de preservar esta importante obra que representa a integração entre os códigos regionalistas e a linguagem cosmopolita do Movimento Moderno brasileiro.
O Docomomo-RIO
Sediado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, o núcleo regional do Rio de Janeiro foi o último a ser criado, em 2007, dentro do sistema brasileiro do Docomomo, organização não-governamental para documentação e preservação das criações do Movimento Moderno na arquitetura, urbanismo e manifestações afins.
A demora deu-se pela ausência de um elemento aglutinador entre professores, arquitetos e pesquisadores do Estado, o que limitou o diálogo e o intercâmbio entre as iniciativas voltadas para a documentação e conservação do patrimônio moderno.