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5/Novembro/2008

Fórum: As arquiteturas nacionais estão com os dias contados?


Patrik Schumacher, sócio de Zaha Hadid, esteve no Brasil e defende que o futuro é de uma arquitetura internacional e globalizada


Bianca Antunes, editora-assistente da revista AU

O Brasil é um país isolado. A opinião é do arquiteto Patrik Schumacher, sócio de Zaha Hadid, sobre o posicionamento do Brasil em relação à arquitetura mundial. Em entrevista a AU, Schumacher proclama o fim das arquiteturas nacionais e do modernismo. "Mais do que nunca, vivemos em uma sociedade mundial. As culturas das arquiteturas nacionais desapareceram, ou, se ainda existem, estão com os dias contados", diz.

Segundo o arquiteto, os brasileiros deveriam sair para competir com outros profissionais. "E então podemos ver se podem competir em concursos internacionais. É muito melhor do que se deitar em um tipo de zona de proteção. Em 10 anos, os arquitetos mais jovens não terão chances se não puderem competir com profissionais internacionais - se não puderem competir com os meus alunos em Londres", afirma.

Patrik Schumacher esteve no Brasil dia 4 de novembro para o evento de lançamento da Revestir 2009. 

Leia trechos da entrevista de Patrik Schumacher - a entrevista completa será publicada na edição de dezembro da revista - e dê sua opinião no fórum de AU:

As arquiteturas nacionais estão com os dias contados?

Entrevista

O trabalho do escritório da Zaha Hadid se baseia em softwares e ferramentas de design de última geração. Você acredita que esse é um modo de trabalho restrito a alguns escritórios ou países? Como vê esse processo sendo utilizado no Brasil, por exemplo?

A arquitetura contemporânea está em todo o mundo e a encontramos em todos os países e em todas as escolas em que ensinamos. Há uma rede global de estudantes e de jovens arquitetos que sabem como trabalhar com essas ferramentas. As ferramentas de design paramétrico são um fenômeno global, porque em Londres, por exemplo, ensinamos estudantes de todo o mundo, que voltam a seu país de origem e a utilizam. Em todo o lugar, em todas as escolas de arquitetura, você tem isso acontecendo. É muito difícil fazer o trabalho que tentamos fazer sem essas ferramentas, pois não chegaríamos a esse tipo de refinamento. É uma necessidade para entrar no domínio da arquitetura de alto nível. Como um ticket de entrada: você não pode participar se não adquirir as habilidades.

Sua apresentação hoje será sobre arquitetura global. Você vê um único caminho em todo o mundo? Qual é o espaço das arquiteturas nacionais nessa visão?
As arquiteturas nacionais são coisa do passado. Há 30 anos, você ainda iria a cidades que tinham heróis locais que faziam os edifícios públicos, que era professor e um representante da profissão. Hoje isso não é mais aplicável: arquitetos vão a várias partes do mundo e participam de concursos, e levam seu trabalho. Na Europa, todo concurso público tem de ser aberto a pelo menos todos os países europeus. Não há qualquer garantia ou privilégio de que se construirá em seu próprio país. Nós, por exemplo, por muito tempo não fizemos nada em Londres. Mas isso faz sentido porque, mais do que nunca, vivemos em uma sociedade mundial. Cada cidade quer ter algo significativo e as cidades competem umas com as outras para ter os melhores lugares, edifícios, instituições. Se você tem um profissional muito bom, ele imediatamente se torna internacional. Por isso as culturas das arquiteturas nacionais desapareceram, ou, se ainda existem, estão com os dias contados.

No Brasil há muitos jovens arquitetos que seguem uma linguagem que se aproxima muito da "arquitetura nacional", principalmente ligada ao modernismo do século 20...
O Brasil é um país tipicamente isolado nesta questão. Há alguns outros países em que encontramos a mesma coisa. Na Escandinávia os júris em concursos selecionam arquitetos de seu país, eles não querem que outros arquitetos participem. A Coréia também passa por isso e pela primeira vez um arquiteto internacional está desenhando um edifício público na Coréia. Ainda há algumas ilhas resistentes e anti-globalização. O Brasil é uma delas, mas há muitas pessoas se aproximando. Nós queremos vir pra cá. O país está se abrindo e pessoas como Mendes da Rocha devem também sair para construir. Competir com outros arquitetos, e então podemos ver se podem competir em concursos internacionais. É muito melhor do que se deitar em um tipo de zona de proteção. Em 10 anos, os arquitetos mais jovens não terão chances se não puderem competir com profissionais internacionais - se não puderem competir com os meus alunos em Londres.


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