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12/Dezembro/2011

IAB-RJ elege melhores projetos do Rio de Janeiro em cinco categorias


Premiação Anual do Instituto de Arquitetos do Brasil escolheu trabalhos de destaque em edificações, arquitetura de interiores e design, urbanismo e paisagismo, patrimônio cultural e produção teórica


Kelly Carvalho

O IAB-RJ (Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Rio de Janeiro) divulgou o resultado de sua 49ª Premiação Anual, que nesta edição contemplou projetos de cinco categorias, além do Prêmio Especial IAB-RJ 2011, disputado entre os vencedores.

Foram contemplados projetos nas categorias edificações, arquitetura de interiores e design, urbanismo e paisagismo, patrimônio cultural e produção teórica. A arquiteta Lia Siqueira levou o prêmio especial, e uma viagem de uma semana para um país europeu de livre escolha.
A comissão julgadora foi formada pelos arquitetos Demetre Anastassakis (presidente), Ana Luiza Petrik, Cêça Guimaraens, Eduardo Cotrim Guimarães, Luiz Fernando Freitas e Ricardo Villar.
Confira os vencedores e menções honrosas:

CATEGORIA EDIFICAÇÕES
Prêmio: Edifício INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia
Autores: Rodrigo Sambaquy, Aníbal Sabrosa e Flavio Kelner

Divulgação IAB-RJ


Projetado pelo escritório H.Midlin no final da década de 70, a estrutura original - racional e elegante - do edifício da antiga sede do Jornal do Brasil foi fundamental para adaptar o prédio às necessidades médicas. Nele foi possível instalar toda a área de internação, centro cirúrgico, centros de tratamento intensivo é área de imagem, além da administração no último pavimento.

Os arquitetos premiados mantiveram o grande saguão como acesso de visitantes. No local, foi possível restaurar um painel em concreto e massa do artista Athos Bulcão, às suas formas e cores originais.

As fachadas também foram restauradas com concreto aparente e balcões em massa branca, bem como as antigas portas de cor amarelada, das fachadas leste e oeste. A maior intervenção ficou por conta da adição à fachada sul (voltada para a Baía de Guanabara) de duas novas construções, em vidro reflexivo de dois tons, que abrigam as novas e necessárias circulações verticais, e suas áreas de escapes de pacientes.

Menção honrosa: Edifício Alvar Aalto
Autores: Rafalel Borelli e Carlos Eduardo Calmon D. Almeida

Divulgação IAB-RJ


Para o lote onde se localiza o edifício, no bairro jardim Botânico, permitia-se construir até três pavimentos acima do térreo. A volumetria, definida pelo gabarito permitido na legislação e o tamanho do terreno, permitiram uma aproximação maior dos apartamentos com a escala da rua, já que, em função de seu pequeno porte, não apresenta pavimento de uso comum ou garagem entre o térreo e o primeiro apartamento, como a maior parte de seus vizinhos.

Os arquitetos buscaram enfatizar o volume simples e compacto e usar elementos construtivos e materiais que remetessem a uma casa verticalizada, com texturas fortes, mas um ar contemporâneo e urbano, valorizando o aspecto de tranqüilidade da rua e a relação com a escala do pedestre, ainda presente, felizmente, no bairro.

A proximidade entre as varandas e a rua sugeriu uma solução de fachada que proporcionasse ao mesmo tempo contato e privacidade. Os arquitetos fizeram uma reinterpretação de dois elementos construtivos vernaculares, as venezianas e o fechamento dos balcões (feitos na arquitetura colonial com treliças de madeira, configurando o muxarabi). No edifício, esses elementos foram reproduzidos nas laterais das varandas em escala ampliada, por meio de brises horizontais reguláveis, que permitem o controle da entrada de luz e da privacidade, além de conferirem movimento à fachada.

Menção honrosa: Edifício comercial Vinicius
Autores: Sergio Conde Caldas, João de Sousa Machado e Laura Esmiralha

Divulgação: Sergio Conde Caldas

Em um terreno de 142,27m²,  que não permite excessos por sua limitada dimensão, o escritório teve como desafio incluir nesta pequena faixa do  valorizado bairro de Ipanema todos os espaços de trabalho necessários para uma empresa.  O terreno fica localizado na esquina da rua Alberto de Campos com a Vinicius de Moraes, e, portanto, do encontro entre o poeta modernista e um dos grandes compositores da MPB é que nasceu a inspiração para a edificação.

Nos primeiros esboços, os arquitetos procuraram recuar um pilar da linha de fachada, elemento  comum nos edificios modernistas, porém, conforme o avanço nos estudos, o detalhe estrutural duplicou-se, recuou e tornou-se mais esbelto.

Impossibilitados de utilizar brises moveis e removiveis na linha da fachada, por conta da interpretação legislação atual, os brises foram projetados para a estrutura lateral da edificação, em um elemento que se assemelha às teclas de um piano e gera um mutável jogo de sombras. No seu pavimento será possivel ter uma visão horizontal aberta, integrada e clara.

As varandas, normalmente elementos de peso em uma fachada e transformadores da sua forma, apresentam-se na edificação como se flutuando ao lado dos planos de vidro, e com forma independente, definem-se com caracteristicas próprias em uma tentativa de unir música e poesia com traços modernistas. 

Uma das intenções deste projeto foi criar um forte contraponto, quase que ilusório, entre a transparência e fragilidade do vidro e a opacidade e peso do concreto. Portanto,  o elemento  envidraçado de esquina tem por um lado a massa das varandas flutuantes na rua Vinícius de Moraes e por outro os volumosos brises na rua Alberto de Campos, ambos em concreto.

Os vidros da fachada serão Low-e (baixa emissão) reduzindo a transferência térmica entre ambientes e filtrando a entrada dos raios solares. Lâmpadas LED serão utilizadas nas varandas e interiores, reduzindo a emissão térmica e o consumo de energia.


CATEGORIA ARQUITETURA DE INTERIORES E DESIGN
Prêmio:
Biblioteca
Autora: Lia Siqueira

Divulgação IAB-RJ

O projeto, em uma construção existente com três pavimentos, previu um espaço para abrigar uma biblioteca com 10 mil exemplares. A verticalidade permitiu a entrada da iluminação e ventilação diretas e através da malha horizontal, a ventilação cruzada.

A utilização da estrutura metálica viabilizou peças mais esbeltas e leves, permitindo uma linguagem contínua no plano vertical e a visualização das prateleiras como um único conjunto no triplo vão. A presença da madeira natural na horizontalidade junto ao branco da madeira pintada na verticalidade reforça o desenho do conjunto marcado pelos planos.

CATEGORIA URBANISMO E PAISAGISMO
Menção honrosa:
Ponte Sul do Canal do Fundão
Autor: Alexandre Chan

Divulgação IAB-RJ

A montagem de tabuleiros em balanços sucessivos para a Ponte Sul do Canal do fundão foi a solução encontrada pela eliminação de pilares no meio hídrico. Afastada a solução bi-apoiada pela escassez de terreno hábil e seco para grandes pilares na margem continental, restou o apoio único no lado ilha.

A reduzida largura e peso da pista, com apenas duas faixas no mesmo sentido, induz à adoção de plano central e único de estais. Quinze estais frontais em formato leque-harpa em plano único vertical e central são contrabalançados em parte por três pares de estais traseiros em plano duplo, ancorados em blocos de concreto.

CATEGORIA PATRIMÔNIO CULTURAL
Prêmio:
Edifício Sul América
Autores: Fernando Pinheiro Monte Filho e Alessandra Nascimento de Lima

Divulgação IAB-RJ

No ano de 2008, o histórico edifício sede da Companhia de Seguros Sul América se encontrava em processo de desocupação. A edificação de 29 mil m² foi construída em várias etapas, de 1922 à meados de 1960 e se encontrava totalmente adaptada para o uso específico da Companhia de Seguros Sul América. O interior da edificação, bem como as fachadas, estavam deterioradas pelo tempo.

A proposta desenvolvida buscou aliar a organização dos espaços aos usos de um moderno edifício corporativo incluindo uma galeria de lojas, que além de servir à comercialização dos espaços do térreo, permitirá ao público em geral vivenciar a arquitetura do edifício, até então tida totalmente de espaços privados. O lobby de acesso recebeu painéis restaurados do escultor H. Leão  Velloso. Este ambiente recebeu no piso o mármore Arabescato, amplamente encontrado nas fases originais de construção.

O conceito adotado para os pavimentos de escritório é de um núcleo de serviços e área comum centralizado e otimizado. Os halls de elevadores foram dotados de iluminação indireta e revestimentos sóbrios. Foram projetados sanitários centralizados e com galerias técnicas  devido à facilidade de manutenção e menor interferência na laje existente com a redução do número de aberturas necessárias. O pavimento é dotado de piso elevado, o que levou a um estudo do detalhamento das esquadrias existentes em madeira para adequação do novo nível proposto.

CATEGORIA PRODUÇÃO TEÓRICA
Prêmio:
Metodologia e Tecnologia na Área de Manutenção e Conservação de bens edificados  Autores: Maria Cristina Coelho Duarte, Marcos Jose de A. Pinheiro, Bettina Collaro, Márcia Lopes Franqueira e Débora Lopes

Divulgação IAB-RJ



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