Conhecer bem as necessidades do presente, para poder planejar, agora, o futuro. Sem dinheiro, megaeventos como Copa e Olimpíadas não acontecerão, e caberá a arquitetos, urbanistas e construtores, assim como ao poder público, decifrar meios de atrair novos - e muitos - investimentos privados.
A discussão sobre como cidades devem aproveitar eventos esportivos internacionais - além do advento do pré-sal - foi tema do 1º Seminário Internacional de Arquitetura Esportiva, promovido pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), que aconteceu na última quarta-feira (18/8), no Centro Brasileiro Britânico, São Paulo.
Recentemente, a AsBEA firmou parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), com o intuito de internacionalizar nossa arquitetura. A agência apoiou o evento na apresentação de um panorama completo sobre oportunidades e desafios para os setores de arquitetura e urbanismo no que tange a equipamentos esportivos e infraestrutura urbana de apoio aos eventos, em diversas capitais brasileiras e também nas cidades subsedes - onde haverá concentração de equipes entre um jogo e outro, o que se traduz na necessidade de campos de treinamento, hospitais, hotéis, restaurantes e transporte, entre outros.
Para o presidente da Urban Systems, Thomaz Assumpção, que abriu o Seminário, é importante que o Brasil esqueça seu modo tradicional e patrimonialista de encarar negócios imobiliários. "Aplicar a ótica financeira sobre esse novo e forte mercado que desponta é abrir um mecanismo para que qualquer investidor, de qualquer canto do mundo, possa vir para cá. Há uma tendência de crescimento da compra de títulos de base imobiliária, e o sucesso desses megaeventos dependerá de como seremos capazes de traduzir nossos projetos em linguagem financeira", palestrou.
Uma boa tradução dependerá, por sua vez, da coleta precisa de informações, projetos bem resolvidos em torno de recuperações urbanas e utilidade pública futura viável para todas as novas instalações. "Conselhos de acionistas cobrarão caro pela boa performance de venda dos produtos. O mercado deverá garantir a sustentabilidade pós-eventos", explicou.
Edgar Jabbour Deloitte, da consultoria Deloitte, defendeu a necessidade de preparar as subsedes: "Neste momento há carência até mesmo de capital humano para serviços em diferentes áreas - inclusive na construção civil", afirmou. O planejamento estratégico para as Olimpíadas levará em conta, por outro lado, a necessidade de termos atletas de alto rendimento em todas as categorias - "e nossas equipes terão de ter onde treinar".
O vice-presidente comercial da AsBEA, arquiteto Edo Rocha, encerrou o seminário lamentando que alguns estádios estejam sendo desenvolvidos ou reformados por escritórios estrangeiros. "Sem contar a ampliação dos aeroportos, serão, por baixo, R$ 44 bilhões em investimentos", afirma. Ele concluiu sua apresentação com imagens de dois projetos nacionais - um para Manaus receber a Copa em 2014 (com estádio, centro de convenção, estacionamentos, área de hotéis e residencial, arena poliesportiva, centro empresarial, shopping), e outro para a Marina da Glória, no Rio de Janeiro, destinado a jogos das Olimpíadas de 2016.