A Construção Civil está vivendo um momento de plena expansão. Segundo as projeções da FGV, o segmento deve crescer entre 10% e 14% em 2008, contra um crescimento do PIB projetado em 4,8% para o mesmo período. As maiores construtoras e incorporadoras abriram capital nos últimos dois anos, captando bilhões de reais de investidores nacionais e estrangeiros e a previsão é de que esta dinâmica de expansão continue ascendente nos próximos anos.
A abertura de capital e o conseqüente crescimento das empresas exigem uma demanda maior por executivos qualificados e uma maior profissionalização do setor. Além da eficiência na equalização do preço acessível ao comprador e margem de lucro satisfatória, requer a implantação de processos que sigam as regras de governança corporativa e que promovam transparência na apresentação das estratégias e resultados. Executivos qualificados nas mais diversas áreas são essenciais para assegurar bons resultados, possíveis somente com a implantação de planejamento estratégico, otimização da logística, excelência no gerenciamento de obras, maior escala de produção, investimentos em landbank, aperfeiçoamento do uso de tecnologia nos processos e produtos e correto posicionamento de mercado e lançamento de empreendimentos.
Para contratar estes profissionais altamente qualificados, muitas construtoras e incorporadoras têm utilizado empresas de consultoria em executive search, as quais, além de ajudarem a delinear o perfil ideal para a posição executiva, identificam e atraem estes profissionais. No atual cenário de grande demanda, o campo de busca tem sido setores econômicos mais maduros do que o da construção civil, especialmente para as posições de diretor de marketing e CFO ou diretor de relação com investidor, por exemplo.
Mas não há dúvida que a maior dificuldade e preocupação do setor têm sido em relação à falta de engenheiros, tanto para posições técnicas como para executivas. Este fato tem origem na história econômica do País. Nas duas últimas décadas, os investimentos nas áreas de construção civil e infra-estrutura no Brasil foram irrisórios e, em decorrência, deixou de formar um número maior de profissionais nesta disciplina. Os que estão no mercado são cada vez mais requisitados, sobretudo os que ocupam posições de diretores de operações e contratos, ou seja, engenheiros com perfil de gestor.
O escopo da atividade de um engenheiro na execução de um projeto hoje é muito maior do que no passado, onde eram responsáveis somente pela parte técnica. Um diretor de contrato, por exemplo, é responsável pelo planejamento completo de um empreendimento, incluindo engenharia e arquitetura, definição de custos e tempo de execução, gerenciamento de equipes multidisciplinares, próprias e terceirizadas, cumprimento de prazos e orçamentos, pela garantia de qualidade de execução e manutenção das margens de lucro.
Já um diretor de suprimentos, outro profissional escasso no mercado, precisa ser um estrategista, porque dele também depende o sucesso ou fracasso do empreendimento - fator que está diretamente ligado à racionalização de custos e menor prazo de execução. Ele deve estar ligado a diversas áreas de uma construtora: a de orçamentos para auxiliar na busca das melhores soluções técnicas em termos de custo tecnologia e fornecedores, a de engenharia para certificar-se de que as compras e contratações atendem as necessidades da obra, e, por fim, a financeira para assegurar-se de que tudo corre de acordo com o planejado e as margens esperadas para o empreendimento estejam garantidas.
Apesar da mudança no escopo das atividades de engenharia, as faculdades não acompanharam as necessidades do mercado continuam focando os cursos de engenharia totalmente na questão técnica e não preparam os futuros engenheiros para gestão de negócios e dos empreendimentos. Como solução de médio prazo, as empresas da área podem se preparar para oferecer a seus executivos programas estruturados de treinamento. Mas é importante que a iniciativa privada influencie na criação de bons cursos nas áreas de construção e infra-estrutura e criem programas que incentivem, motivem e atraiam jovens estudantes para as áreas de engenharia novamente. Assim, no futuro próximo, haverá uma maior oferta de profissionais capacitados para suprir a demanda crescente nos próximos anos.
A carência de profissionais com as competências necessárias dentre os candidatos aprovados em processos seletivos vem impactando no grau de dificuldade para buscar um talento e estruturar uma proposta de contratação. Assim, cada vez mais, a busca e contratação de profissionais talentosos se tornam uma competência estratégica dos líderes conscientes e das empresas de consultoria de executive search. Como disse Akio Morita, fundador da Sony Corporation: "Não importa o quanto você é bom, bem-sucedido, esperto ou habilidoso, sua empresa e o futuro dela estão nas mãos de quem você contrata".
Gabriela Nedeff Lindemann é sênior associate para área de construção civil da Fesa, empresa de recrutamento de executivos com presença em 41 países