A Justiça italiana condenou o ex-proprietário do grupo Eternit, o suíço Stephan Schmidheiny, e o ex-grande acionista da empresa, o barão belga Jean-Louis de Cartier, a 16 anos de prisão. A ação foi movida contra o grupo pela morte de cerca de 3 mil pessoas por contaminação por amianto nas usinas do grupo e nas cidades próximas.
O processo foi iniciado em 2009, após cinco anos de investigação, e é considerado o maior de seu tipo contra um multinacional envolvendo amianto. A Eternit italiana faliu seis anos antes da proibição do amianto na Itália, em 1992. A empresa brasileira do grupo divulgou um comunicado negando qualquer relação com a Eternit em outros países e afirmando que segue a lei brasileira sobre a utilização de amianto.
Confira o comunicado na íntegra:
"A Eternit, empresa brasileira de capital aberto e 100% nacional, esclarece que não tem nenhuma relação com a Eternit de outros países, inclusive na Itália. No Brasil, o Grupo Eternit é de capital aberto e 100% nacional. Portanto, a propriedade/uso da marca se dá de forma distinta por diversas empresas em vários países. A realidade da atividade no Brasil também difere da empresa italiana.
A Eternit brasileira segue a Lei Federal nº 9055/95, que disciplina a extração, industrialização, utilização, comercialização e transporte do amianto crisotila e dos produtos que o contenham em todo território nacional.
Com relação ao uso do amianto crisotila em produtos como caixas d'água e telhas, a Eternit esclarece:
A extração e beneficiamento do amianto crisotila por sua controlada SAMA e a utilização do mineral nas fábricas da Eternit seguem rígidos padrões de segurança que superam as exigências legais. Com o aprimoramento das técnicas de produção e o aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção ao trabalho, nenhum caso de doença relacionada ao uso do amianto crisotila foi registrado entre os colaboradores admitidos no Grupo a partir dos anos 80.
Os procedimentos de segurança implantados pelo Grupo Eternit em suas empresas superam as exigências legais, eliminando ou reduzindo possíveis riscos e garantindo a segurança aos colaboradores e consumidores. O uso de telhas com amianto crisotila é seguro. Não há registro no Brasil de nenhum morador que tenha desenvolvido qualquer doença em razão de habitar moradias cobertas com telhas de amianto. Fato comprovado em pesquisa nacional, disponível no site http://www.sectec.go.gov.br/portal/.
O Grupo Eternit reafirma a transparência com que trata o assunto e realiza um programa de Portas Abertas em todas suas unidades e na mineradora, permitindo o acesso a todos que quiserem conhecer os processos seguros na mineração e na fabricação de produtos com amianto crisotila".