Uma série de empresas de construção civil está com processos seletivos abertos para estudantes e profissionais formados, sendo que algumas delas surpreendem pelo grande número de vagas disponíveis. A Camargo Corrêa, por exemplo, anunciou que iniciará seu programa de estágios e trainees em novembro, mas pelo menos duas unidades do grupo estão com inscrições em um programa paralelo para jovens profissionais com 240 vagas. A Método Engenharia, a Votorantim, e a Gafisa também estão com processos de recrutamento abertos, só para citar algumas. Mas afinal, o que essas empresas procuram nos profissionais? Como eles devem proceder para mostrar que estão capacitados para a vaga?
Não há uma regra geral de seleção, dizem os recrutadores, no entanto, alguns procedimentos básicos podem auxiliar o candidato em um processo seletivo. A primeira preocupação deve ser com a apresentação do currículo. Este documento deve descrever as experiências e habilidades do candidato de maneira direta para ser funcional. O diretor de Pessoas e Organização da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, Enio Andrade, recomenda que o documento não ultrapasse duas folhas e que traga descrição verdadeira das características do candidato. "Um erro comum é a transmissão de informações falsas", avisa Andrade, uma vez que os conhecimentos informados no currículo serão cobrados nas fases seguintes, como nas dinâmicas de grupo e entrevistas.
A vice-presidente administrativa da MRV, Júnia Galvão, alerta também que os candidatos devem observar se preenchem todas as qualificações solicitadas pelo contratante. "Além disso, muitos incluem dados irrelevantes para a função a qual se candidatou, como cursos que não serão de utilidade para o exercício de suas atividades profissionais", afirma. O gerente de RH estratégico da Método Engenharia, Roberto Mingroni, afirma que ser prolixo é outro erro comum. "Há candidatos que repetem informações ou não são claros nas funções que executaram".
Além da experiência e conhecimento técnico, outras habilidades também são observadas durante o processo seletivo, tais como características pessoais e de relacionamento em grupo como liderança, gestão, facilidade de trabalho em equipe, criatividade e habilidade de expressão verbal. "Percebemos que os candidatos possuem alta capacidade técnica, mas faltam essas características. É necessário entender que esses engenheiros ser tornarão executivos da empresa no futuro", afirma Mingroni, da Método.
Experiência
No caso de trainees e estagiários, o diretor da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários avalia que o currículo deve ser claro e sucinto. "O currículo não é tão importante, já que esses jovens ainda não têm ampla experiência profissional, nem idade suficiente para terem investido tempo em cursos e formação acadêmica complementar à Universidade", avalia Andrade. Já com relação os jovens recém-formados, as empresas observam os cursos realizados pelos candidatos bem como sua participação em atividades extra-curriculares.
Para os profissionais com mais tempo de mercado, a experiência nos canteiros é um diferencial importante. As empresas reconhecem que o candidato possui noções dos processos, tempos e recursos necessários para a execução das tarefas. Assim, o profissional também consegue lidar e liderar a equipe por reconhecer as necessidades e dificuldades do trabalho. Na MRV, por exemplo, para exercer as funções de engenheiro de obra, de suprimentos ou de segurança do trabalho é necessária experiência mínima de um ano. Para a última, a empresa também valoriza os conhecimentos em emissão de documentos técnicos, criação de Processos de Segurança, na realização de Programas de Treinamento e conhecimentos no processo de implantação de certificações (ISO 14000, OHSAS 18000, ISO 9000, ISO 9001). Já os arquitetos ou coordenadores de projetos necessitam, além do conhecimento de softwares, de mais tempo de experiência: três anos na área.
A MRV admite que profissionais com conhecimento nos sistemas informatizados de gestão (SAP, Cognos, por exemplo) utilizados na empresa também levam vantagem no processo de seleção. Já a Método, destaca o conhecimento de soluções sustentáveis e também de cursos MBA (Master in Business Administration) e até certificados de gestão. "Oferecemos cursos sobre gestão na empresa e também incentivamos para que os funcionários tenham o certificado PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute)", informa Mingroni.
Os três profissionais também explicam que empresas utilizam diversos fatores como diferenciais, mas não como motivos de exclusão do processo seletivo. "Em alguns casos, temos muitos candidatos e optamos por aqueles que estudaram nas melhores faculdades", avisa Júnia. Nessa mesma linha estão o domínio de idiomas e também vivência internacional, mesmo que seja um curto período de férias. "Ter nível intermediário no domínio de uma língua é muito importante, preferencialmente em inglês ou espanhol. Outro diferencial é o conhecimento de idiomas como francês, alemão, italiano, russo, chinês, árabe e iídiche", afirma Andrade.
Com a expansão das empresas para diversas regiões do Brasil e até para outros países, a disponibilidade para mudar de cidade também se torna um ponto positivo. "Há vagas em que a indisponibilidade se tornou motivo para desqualificação no processo", afirma Júnia. Já Andrade aponta que esse esforço provoca um grande desenvolvimento profissional, independentemente da área que o profissional vai atuar.
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