Luciano Amadio, da construtora CVS S.A., tomou posse, nessa semana, da presidência da Apeop (Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas) para o biênio 2009/2011. Ao lado de Arlindo Moura, que liderou a entidade pelos últimos oito anos, Amadio exercia, até então, o cargo de vice-presidente adjunto da mesma associação.
Em entrevista exclusiva à próxima edição da revista Construção Mercado, o presidente comentou o atraso nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A seguir confira trechos da entrevista, a ser publicada na íntegra no site da revista na primeira semana de julho.
Qual o motivo do atraso nas obras do PAC?
Existem sérios embaraços em relação ao andamento dessas obras. Um deles é a morosidade da Caixa Econômica Federal em relação à análise das medições e correspondente liberação dos recursos; outro é que a cada alteração de projeto a Caixa exige uma reprogramação de cronogramas físicos e financeiros cuja sistemática é morosa e complexa; por fim, os preços desses contratos são balizados pelo Sinapi [Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, gerenciado pela CEF e, com base neles, a Caixa promove diversas glosas nos contratos assinados, com repercussão negativa nos prazos estabelecidos.
As empresas receberão até R$ 3 bilhões em financiamentos do BNDES, sem precisar apresentar as garantias de pagamento normalmente exigidas pelo banco. Por que, na sua opinião, o governo tomou essa medida?
Esse conjunto de dificuldades tem sido responsável por um quadro de atrasos sistemáticos na maioria das obras do PAC. Centenas de construtoras já executaram bem mais serviços do que já receberam - e estão apresentando sérios problemas de caixa. E esses são os verdadeiros motivos que levaram o governo federal a flexibilizar critérios para uma linha de financiamento do BNDES as construtoras do PAC. Essa linha pode ser entendida como um paliativo - sem resolver as verdadeiras causas da necessidade de financiamento.