O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) completa 110 anos em 2009. Desde o ano passado, o instituto passa por um Projeto de Modernização de suas atividades e receberá, até 2010, investimentos da ordem de R$ 150 milhões. Os recursos estão sendo destinados à ampliação da infraestrutura e na compra de novos equipamentos, principalmente para áreas em que havia maiores deficiências em pesquisas, como na de estruturas leves e em bionanotecnologia.
O diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, falou à PINIweb sobre a atuação do instituto nas áreas relacionadas à Engenharia Civil, um dos segmentos mais fortes dentro do órgão. Confira a entrevista.
Quais os principais investimentos realizados atualmente pelo IPT nas divisões ligadas à Engenharia Civil?
Estamos fazendo investimentos para avaliar níveis de ruído, equipamentos para mapeamento geotécnico sob a água - para obras de pontes, por exemplo -, instrumentação do túnel de vento. Há ainda uma pesquisa importante na área de perfuração horizontal dirigida. Atualmente, é possível fazer furos com diâmetros de até 600 mm e deslocamentos de até 2 km; acima disso é um grande desafio. Essa pesquisa viabilizaria passar dutos através da Serra do Mar, por exemplo, gerando impacto ambiental mínimo.
As parcerias com a indústria da construção, principalmente com as construtoras, são ainda muito incipientes. Quais as principais razões para isso?
Veja o caso da tragédia na Estação Pinheiros da Linha 4. Após o acidente, o Ministério Público designou o IPT para as investigações e determinou que o Metrô arcaria com as despesas - não foi o Metrô que nos contratou. Nossa função, nesse caso, era investigar e elaborar um laudo, apontando as falhas e problemas na obra. Mas isso gera um desgaste na relação entre o IPT e o Metrô e as construtoras. Essas empresas passam a nos olhar com desconfiança e acabam não se aproximando de nós, e isso compromete possíveis parcerias. O IPT não deve atuar como Polícia Técnica. Deve-se criar condições, sim, para que ela tenha nos seus quadros profissionais capazes de liderar essas investigações. A função do IPT é trabalhar junto com a indústria para que acidentes como aquele não ocorram mais, e não ficar apontando culpados quando eles acontecem.
O instituto está atuando na exploração da bacia do Pré-Sal?
A Petrobras é o nosso maior cliente. Nesse projeto específico, nós temos uma gama enorme de trabalhos. Entre outros, nós estamos auxiliando na etapa de exploração, com o ensaio das rochas salinas, sob as quais se encontram as jazidas de petróleo. Trata-se de uma camada de 5 mil metros de espessura, localizada a 2 mil metros abaixo do nível do mar. Quando se perfuram rochas nessa situação, encontram-se temperaturas muito altas e uma pressão absurda. A tendência é do furo se fechar sozinho, num tempo que depende da profundidade do furo e da propriedade das rochas. No início das explorações, muitas das brocas utilizadas para fazer as perfurações eram perdidas. Para a Petrobrás conseguir furar essas rochas, ela tem que entender como esses furos fecham. E para isso, é preciso conhecer as propriedades de fluência da rocha. Se eu pegar a pressão a que a rocha está submetida naquela profundidade, simular em laboratório e analisar como ela se deforma, eu consigo fazer um programa de computador que simula o fechamento dos furos. Então é possível saber até onde se pode furar, quando eu tenho que parar e encamisar. É possível, ainda, determinar qual a espessura da camisa e qual a carga que ela receberá. Nós montamos um laboratório, o único do Brasil, em que nós conseguimos simular as condições de temperatura e pressão do fundo do mar.