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2/Março/2011

Profissionais da construção iniciam visitas técnicas em Londres


Discussões sobre sustentabilidade, BIM e giro no Parque Olímpico da capital do Reino Unido marcam primeiros dias da missão


Eric Cozza

Divulgação
Profissionais brasileiros reunidos em Londres
Um grupo de 24 profissionais da construção civil brasileira, organizado pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo), chegou ao Reino Unido no último final de semana (veja notícia anterior).  O primeiro dia de atividades incluiu reuniões com o departamento de negócios e investimentos do governo britânico, com o escritório de projetos de arquitetura e engenharia Arup e com a associação dos fabricantes de materiais de construção. No segundo dia, o destaque ficou por conta da visita ao Parque Olímpico, na região leste de Londres.

A sustentabilidade pautou boa parte do encontro com representantes do governo e da iniciativa privada. A grande meta no Reino Unido é fazer com que, até 2016, todos os edifícios novos sejam entregues para operarem com emissão zero de carbono. Algo considerado bastante desafiador para os profissionais brasileiros, visto que envolve não apenas a concepção e o projeto da edificação, mas principalmente a conscientização dos usuários. A dificuldade foi admitida pelos britânicos.
 
Outro assunto que despertou a curiosidade dos profissionais brasileiros foi a existência no Reino Unido da figura do 'quantity surveyor', profissional responsável por orçar os empreendimentos, preparar todos os processos de concorrência e depois acompanhar o andamento das obras. Trata-se de uma figura independente dos projetistas e das construtoras envolvidas, contratado diretamente pelo cliente. Costuma ser remunerado com 1% do valor da obra. Para o projetista de estruturas, esse percentual gira em torno de 1,5%. Ao escritório de arquitetura, que possui um importante papel de coordenação de todos os processos, costuma ser destinado 4% - um percentual que também causou surpresa aos brasileiros.
 
Os profissionais puderam conhecer também um pouco do trabalho de normalização no Reino Unido e na Europa, que passa por um amplo processo de unificação, a partir do desenvolvimento do Eurocode. Um representante do BSI (British Standards Institution) relatou as dificuldades de padronização dos textos normativos na Europa, que convive com características geográficas, geológicas e, principalmente, climáticas, bastante distintas.
 
No escritório da empresa de projetos de arquitetura e engenharia Arup, o BIM (Building Information Modelling) foi o assunto predominante. A primeira apresentação, feita por teleconferência com Stuart Bull, profissional que trabalha na expansão do Aeroporto Internacional de Hong Kong, contextualizou o tema. Ele ressaltou que não se deve abordar o assunto como se tratasse de uma questão de software, mas sim da adoção de um novo processo, capaz de trazer grandes benefícios ao evitar interferências e incompatibilidades que acabam'estourando' nas obras. Como exemplo de aplicação do BIM, a equipe da Arup apresentou o projeto do empreendimento The Leadenhall Building, em fase de execução das fundações no centro de Londres.  Veja no vídeo abaixo opinião do engenheiro civil Fernando Corrêa Machado, da Sinco Engenharia, sobre a visita.

 

Parque Olímpico
Abalados pela crise mundial que se arrasta desde o final de 2008, o Reino Unido tem buscado na sustentabilidade um diferencial de mercado capaz de recolocá-lo em um lugar de destaque no cenário internacional. Para isso, os britânicos contam com uma poderosa arma de marketing: a Olimpíada de 2012, que será realizada em Londres. O Parque Olímpico constitui um verdadeiro laboratório de inovações nessa área.

Divulgação
Estádio Olímpico

Localizado na região leste da capital britânica, o complexo esportivo foi executado em um antigo distrito fabril, no qual foram demolidos 220 edifícios. A história da região remete aos primórdios da Revolução Industrial, que teve a Inglaterra como epicentro. Todos os terrenos encontravam-se contaminados e, por conta disso, exigiram um rigoroso e delicado processo de recuperação. Mais de 85% do solo foi retirado para tratamento.
 
Em estágio final, as obras seguem a todo vapor. No dia da visita dos construtores brasileiros, o movimento era intenso e se espalhava por toda a área. Veja no vídeo abaixo a opinião do presidente do Sinaenco São Paulo, José Roberto Bernasconi, sobre a realização e, principalmente, sobre o legado britânico.

Acompanhe mais notícias sobre a missão nos próximos dias.


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