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8/Outubro/2008

Cimenteiras explicam como pretendem abastecer o mercado


Importação já foi anunciada pela Votorantim e é uma hipótese considerada pela Lafarge para o próximo ano. Empresas avisam que medida vai elevar o preço final do produto


Rafael Frank

No início de outubro a Votorantim anunciou a importação pontual de cimento da China e reacendeu no setor o questionamento a respeito da capacidade de abastecimento do produto no mercado. Consultadas pela PINIweb, algumas cimenteiras reforçam que, para evitar a falta do produto, lançaram mão de uma série de estratégias, como a operação em plena capacidade, mudanças na logística de distribuição e ampliação, modernização e construção de novas plantas.

Oficialmente, a Votorantim continua sendo a única empresa a admitir a importação de cimento como medida emergencial e pontual, que poderia chegar a 100 mil toneladas ao mês. "O mercado está aquecido e a demanda é alta. Os players do mercado estão contornando a situação, mas essa adequação gera uma fila um pouco maior para compra de cimento", justifica Marcelo Chamma, diretor comercial da Votorantim Cimentos. Para atender as necessidades do mercado a curto prazo, a fabricante já cancelou as exportações e opera sem estoques reguladores, ou seja, toda a produção é enviada para distribuição.

Já o diretor comercial da Lafarge, Rogério Silva, revela que a multinacional francesa analisa a possibilidade de importação, mas não a considera interessante no momento. "O grupo possui uma trading, fábricas em vários países, fizemos alguns contatos. Se o mercado continuar tão aquecido, consideramos a importação uma saída em 2009". Entre os países apontados pela empresa como possíveis exportadores, estão o Egito, a Turquia e o continente asiático pelos custos de transporte e produção. "O cone sul não possui capacidade instalada para atender a demanda brasileira", diz

Silva afirma que os estudos realizados pela Lafarge indicam que o cimento importado deverá chegar ensacado no Brasil por não haver portos adequados para o produto a granel. Essa situação já havia sido apontada pela SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento). "Essa especificidade, o local do porto, o transporte até o consumidor final são alguns fatores que elevarão o preço final. Não há como negar isso", alerta o diretor, que também se preocupa com a atual crise do sistema financeiro internacional.

A Cauê, do Grupo Camargo Corrêa, afirmou por meio de nota que está investindo e haverá maior disponibilidade de produtos no segundo semestre de 2009. Entretanto, não especificou como isso ocorrerá ou o que fará para aumentar sua capacidade produtiva.

Investimentos
A Votorantim Cimento investirá R$ 3,2 bilhões até 2011 para expandir sua capacidade de produção. Já foram reativadas três unidades desde 2007 nas cidades de Cocalzinho (GO), Pinheiro Machado (RS) e Poty Paulista (PE). As unidades de Salto de Pirapora (SP) e Nobres (MT) tiveram sua capacidade de produção ampliada e duas novas moagens estão entrando em operação até o final do ano em Aratu (BA) e Pecém (CE). A nova moagem de Barcarena (PA) já está em operação. Também foram concluídas as obras de modernização das fábricas de Santa Helena (SP), Itaú de Minas (MG) e Sobradinho (DF). A empresa estima que até o final de 2008 a capacidade de produção já seja 18% maior que no final de 2007, atingindo 29,5 milhões de toneladas de cimento/ano.

No total, há quatro novas fábricas integradas em construção e devem entrar em operação até 2010 em Porto Velho (RO), Vidal Ramos (SC), Baraúna (RN) e Xambioá (TO). Até 2011, serão construídas novas linhas de produção em Salto (SP), Rio Branco do Sul (PR), Nobres (MT) e Sobradinho (DF). Essas medidas ampliarão a produção em mais 6,7 milhões de toneladas de cimento ao ano.

Na área de Cimento, a Lafarge conta com fábricas nas cidades de Arcos, Matozinhos, Montes Claros e Santa Luzia (MG) e em Cantagalo (RJ). A empresa está investindo na modernização, ampliação de suas plantas instaladas, reativação de fornos e moinhos. A multinacional francesa também adquiriu uma moagem em Santa Luzia (MG) em 2006. Na época, a unidade produzia 100 mil toneladas anuais e deverá produzir 430 mil neste ano. A empresa deverá produzir 3,5 milhões de toneladas de cimento em 2008. "Somente em Montes Claros haverá um aumento de 1 milhão de toneladas anuais e pretendemos investir mais", avisa Silva.


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