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25/Julho/2008

Inflação pressiona construtoras de obras públicas


Insumos e equipamentos, especialmente os de edificação e de terraplanagem, são os mais críticos


Rafael Frank

O impacto da alta dos preços é a principal preocupação das construtoras que operam em obras públicas.  A conclusão é da Apeop (Associação Paulista de Obras Públicas), que divulgou estudo realizado com cem empresas de pequeno, médio e grande porte. Segundo a pesquisa, os insumos que geram maior pressão nos orçamentos são o cimento, agregados e aço. Quanto aos equipamentos, "há demora na entrega e o aumento do valor da locação é outro problema", afirma o diretor executivo da Apeop, Carlos Eduardo Lima Jorge, que aponta equipamentos de edificação e de terraplanagem como os mais críticos.

Como os contratos com a administração pública estão sujeitos a reajustes a cada 12 meses, a Associação planeja desenvolver ações para evitar problemas nos orçamentos. "É necessário que todas as partes estudem a manutenção do equilíbrio dos contratos para evitar paralisações em obras", avisa Jorge. Entre os projetos a serem desenvolvidos, estão a criação de um Grupo de Trabalho de Suprimentos, a realização de pesquisas de preços (materiais, salários e equipamentos) e o estreitamento do relacionamento com entidades relacionadas a diversos índices, como a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas). O diretor afirmou que a Apeop lançará, em breve, uma pesquisa detalhada sobre insumos e equipamentos.

Outro ponto unânime indicado na pesquisa é a dificuldade de contratação de mão-de-obra, principalmente para cargos operacionais - pedreiro, servente, mestre-de-obras. O levantamento constatou que as causas são a escassez de profissionais e a falta de qualidade técnica. "O próprio aquecimento do mercado residencial e comercial da construção retirou alguns profissionais das obras públicas. Há uma inflação de demanda", afirma Jorge.

Apesar das preocupações apontadas, o estudo constatou que as empresas estimam faturamento positivo para 2008. O crescimento médio para 80% das cem consultadas está na ordem de 40% em relação a 2007. As demais esperam manter os mesmos resultados do ano anterior. A maioria das construtoras informou não enfrentar atrasos nos pagamentos das obras, no entanto, 30% das consultadas alegaram atrasos na esfera estadual e também na capital.

A pesquisa ainda apontou mudanças em construtoras consagradas pela atuação em empreendimentos públicos. "O aquecimento do setor residencial e comercial, somado com a atual facilidade de crédito despertaram interesse nos últimos anos em empresas como Odebrecht, Camargo Correa e WTorre", analisa o diretor da Apeop. A participação de obras privadas comerciais e residenciais atingiu 25,5% do faturamento global. Entretanto, o principal core business foi mantido, uma vez que os contratos públicos representam 42,3% da receita das empresas. Já as PPPs (Parcerias Público-Privada) e as concessões obtiveram o mesmo resultado: 2,2%. 


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