Por alguns meses em 2009 as construtoras ainda terão um grande volume de obras para tocar, fruto dos lançamentos anunciados nos meses de prosperidade do mercado imobiliário. A partir do 3º trimestre, porém, é estimada uma redução dessas atividades, exigindo dos construtores planejamento para enfrentar o período turbulento que se aproxima.
Para Mário Rocha Neto, diretor de operações da Gafisa, é hora de fechar o caixa e administrá-lo com cautela. "Nós não temos uma visão muito clara sobre como vamos ser atingidos pela crise", afirma. Silvio Gava, diretor técnico da Even Construtora e Incorporadora, concorda com Neto. "Precisamos estar atentos ao fluxo de caixa e à relação endividamento versus patrimônio", afirma.
Os diretores também concordam quanto à necessidade de buscar maior eficiência das equipes técnica e de produção. Para Neto, o momento exige maior dedicação para buscar a melhoria dos índices de produtividade das obras. Silvio Gava vê um contexto de renovação nas empresas, depois de um período em que "a incompetência estava acobertada". "Antes, tudo se fazia e o incompetente era bem avaliado. Era melhor estar com um incompetente do que com ninguém", brinca.
Com a previsão de redução do volume de obras da Gafisa a partir da segunda metade do ano que vem, Neto aposta na prestação de serviços para outras empresas. "Estamos recriando uma área para vender serviços de construção, ou seja, voltaremos a ser agressivos em obras de terceiros", declarou. Marcos de Vasconcelos Novaes, diretor técnico da C. Rolim Engenharia, de Fortaleza (CE), planeja incrementar o faturamento da construtora com obras industriais na Bahia, no Piauí e no Ceará.
Os engenheiros participaram do II Encontro de Diretores Técnicos e Gestores da Construção, promovido pelo CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) em São Paulo, na última quarta-feira (3/12).