O mercado de imóveis econômicos terá condições favoráveis de crescimento no ano próximo com injeção potencial de R$ 13 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). O orçamento aprovado no dia 30 de outubro de 2008 pelo Conselho Curador prevê recursos de R$ 12 bilhões para financiamento a habitação popular, que, na região metropolitana de São Paulo, corresponde a unidades no valor máximo de R$ 130 mil. Além disso, o Programa Especial de Crédito Habitacional ao Cotista (Pró-Cotista) destinará R$ 1 bilhão, também com recursos do FGTS, para serem, em parte, utilizados para imóveis econômicos. O programa permite que, independentemente da renda, titulares de contas do FGTS há mais de três anos obtenham financiamento para compra de imóveis.
"Juntando essas duas frentes, falamos de R$ 13 bilhões com taxas que variam de 5% - para renda familiar até R$ 2 mil (ou 4,5% para cotistas do Fundo) -, a 8,66% + TR para o Programa Pró-Cotista, que permite financiar o primeiro imóvel sem as amarras de valor máximo do imóvel ou de renda familiar bruta", diz Celso Petrucci economista-chefe do Secovi-SP.
O crédito também será garantido às construtoras e incorporadoras atuantes no segmento. Além da carta de crédito associativa, de programas de apoio anunciados pelo governo e do PAR - Programa de Arrendamento Residencial, Pretucci destaca a possibilidade da Caixa, já a partir de janeiro, adquirir CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), FII (Fundos de Investimentos Imobiliários) e debêntures de empresas que utilizarão esses recursos para a produção de empreendimentos. "São fontes que podem ser utilizados tanto para empreendimentos populares quanto para imóveis enquadráveis no SFH", diz.
As taxas de juros para essas operações serão de 7% ao ano + TR para empreendimentos com valores de unidades populares, e 9% ao ano + TR para imóveis acima de R$ 130 mil, porém enquadráveis no Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Na opinião do presidente do Secovi-SP, João Crestana, "tal movimento permitirá que as empresas mantenham o foco no atendimento da classe C e de mais baixa renda, com a produção de empreendimentos econômicos, segmento que mais precisa de financiamento à produção.