Em março de 2009, a Fifa (Fédération Internationale de Football Association ) vai escolher quais cidades brasileiras receberão os jogos da Copa do Mundo de 2014 e quais estádios farão a abertura e encerramento do evento. Entre os candidatos, 18 cidades se inscreveram e cinco delas aparecem à frente das demais: Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
No entanto, mesmo mais preparadas do que as outras, as cinco capitais ainda precisam de grandes investimentos para se adaptarem às exigências descritas no caderno de encargos da Fifa, que foi distribuído em 2007. De olho nisto, o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia de São Paulo (Sinaenco-SP) promoveu o 8º Encontro da Arquitetura e da Engenharia Consultiva de São Paulo, realizado nesta terça-feira, 26 de agosto, para alertar os atrasos nas obras de infra-estrutura no Brasil e especialmente em São Paulo.
"Os desafios são imensos e nós estamos parados", conta José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco. Segundo ele, nem mesmo o planejamento para as obras de infra-estrutura da cidade está pronto. "Se o tempo passar mais um pouco nós vamos correr atrás do prejuízo", completa.
Para a capital paulista sediar uma das chaves dos jogos da Copa é necessário, de acordo com a entidade, quatro obras principais: a ampliação de Viracopos ou a criação de um novo aeroporto dentro da cidade, a restauração do estádio do Morumbi, que foi o escolhido pelos paulistas para concorrer com o resto do País, a criação de uma avenida perimetral que ligue a Ponte João Dias, no bairro de Santo Amaro, até a praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao estádio, e a conclusão da linha 4 do metrô, com parada na estação São Paulo/Morumbi a 1,2 km do estádio.
Apenas dois destes projetos já começaram a ser tocados. Um deles é a reforma do estádio do Morumbi, que foi projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake e que começará a ser feita no final de 2008. A outra é a nova linha do metrô, orçada em R$ 17 bilhões e prevista para ser entregue em 2012.
Além destas medidas, muitas outras obras são necessárias em setores como telecomunicação e turismo, mas ainda assim o trânsito e o sistema aeroportuário são as maiores preocupações quando se pensa em sediar um grande evento em São Paulo. O presidente da São Paulo Turismo, Caio Luiz de Carvalho, destacou que também é preciso pensar no pós-Copa, aliando as necessidades da cidade às prioridades do evento esportivo, para não repetir os mesmos erros que o Rio de Janeiro cometeu nos jogos Pan-Americanos, quando investiu oito vezes mais do que estava previsto e não melhorou o cenário da cidade.
Morumbi representará São Paulo
O projeto de reforma do Morumbi foi apresentado pelo próprio arquiteto Ruy Ohtake no seminário. Construído há mais de quatro décadas, o estádio do São Paulo Futebol Clube receberá um centro de imprensa com 4 mil lugares e uma redação para 600 jornalistas, estacionamento subterrâneo com capacidade para 4,8 mil carros e uma cobertura nas cores branco e vermelho sob as arquibancadas.
Para oferecer mais conforto, a capacidade para torcedores será reduzida de 75 mil para 62 mil e a sala da Fifa, assim como todas as instalações internas do clube, serão modernizadas.
Prevista para terminar em junho de 2013, a reforma do Morumbi custará entre R$ 30 a R$ 35 milhões e será realizada por etapas durante os próximos cinco anos. O objetivo de Ohtake é de que o estádio receba a Copa das Confederações logo após ficar pronto. No entanto, ainda faltam parceiros que apóiem o São Paulo Futebol Clube a arcar com todos os gastos da reforma.
Palestra Itália aposta em arena multiuso
Mesmo não tendo condições de concorrer com o Morumbi para ser o principal estádio de São Paulo, o Palestra Itália, da Sociedade Esportiva Palmeiras, também será ampliado e modernizado caso o projeto já aceito pela Prefeitura seja aprovado também pelos associados do clube na votação que será realizada no próximo sábado, dia 30 de agosto.
O estádio se transformará em uma arena multiuso, abrigando não só o campo para jogos de futebol, como também um centro de convenções, seis quadras de tênis, seis quadras poliesportivas, um campo de society oficial e uma pista para caminhada. "As arenas multiuso vão trazer uma nova cultura para o País, já que poderão trazer a família toda para compartilhar o lazer", conta Vladimir Rioli, presidente da Pluribank, empresa contratada pelo Palmeiras para criar o projeto.
A WTorre será a responsável pelas obras e gestão do estádio nos próximos 30 anos e o novo Palestra Itália deverá ser concluído no final de 2010.
Clique aqui e veja imagens do projeto da reforma do estádio do Morumbi.
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