O presidente do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), José Roberto Bernasconi, considera que o Brasil perdeu a oportunidade em 2008 de projetar detalhadamente as melhorias necessárias para os jogos da Copa do Mundo de 2014.
Ao longo de 2008, o Sindicato divulgou estudo sobre as obras necessárias e promoveu diversos encontros entre lideranças setoriais e governamentais para discutir as possibilidades de investimentos em transportes, modernização das arenas e das cidades que poderiam sediar a Copa 2014.
Segundo Bernasconi, a deficiência de infraestrutura, principalmente no setor de transportes, é o principal problema a ser solucionado. Na opinião dele, a modernização dos estádios representa um desafio pequeno perante o atual panorama. Confira balanço do presidente do Sinaenco a respeito dos preparativos para os jogos da Copa de 2014:
Durante o ano passado, o Sinaenco realizou diversos eventos para discutir a importância do desenvolvimento de projetos para capacitar o Brasil a sediar a Copa de 2014. Qual o balanço desse trabalho?
O ano de 2008 se encerrou como um período de intenções declaradas, mas sem preparação de projetos para a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Esta é uma das melhores oportunidades e vitrines para o País se posicionar internacionalmente e investir em projetos de infraestrutura e urbanização. É possível juntar toda essa necessidade do evento para suprir as carências das cidades. De nada adianta termos "elefantes brancos", como os gerados pelos Jogos Pan-Americanos, com obras que estouraram o orçamento e que foram executadas sem um plano diretor, como a do Estádio do Engenhão, por exemplo.
Qual o principal desafio para o País?
A acessibilidade ao Brasil e aos locais dos jogos é o principal problema. É um enorme desafio para o transporte, que precisa ser multimodal. O País precisa se preparar nos aspectos aeroviários, rodoviários e ferroviários, que são insuficientes para atender a um evento desse porte. Na Copa da Alemanha, em 2006, havia aproximadamente 16 mil profissionais da mídia. Sem contar as delegações e torcedores. Cerca de 20 mil brasileiros acompanharam o evento esportivo de 2006, seguindo a seleção brasileira em suas áreas de treinamento e jogos. Imagine o número de carros e vôos necessários se a final dos jogos for disputada por Brasil e Argentina!
Os aeroportos são os principais problemas na maioria dos municípios, que não suportariam a dimensão dos eventos. Nesse ponto, estamos atrasados em todas as cidades. Além disso, tais empreendimentos geram grandes impactos ambientais, e como quaisquer projetos, precisam de licenças que podem paralisar todo o processo. Há ainda a necessidade de investimento em hospitais e segurança pública.
Por que esboços de projetos de infraestrutura não foram apresentados?
Há aqueles que dizem que é necessário esperar a FIFA determinar as cidades escolhidas, entre as 18 candidatas. Apesar disso, não há como negar que São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e, talvez, Brasília sejam escolhidas. São Paulo necessita melhorar diversas vias e o aeroporto. Já Belo Horizonte não possui capacidade hoteleira para suportar a Copa, seriam necessárias ações para que o local se transformasse em um pólo de eventos para justificar investimentos em hotéis. Caso contrário, haveria problemas para sustentar ou justificar esses investimentos com o término dos jogos. Cada município tem seus estudos mais detalhados. O Sinaenco também fez um levantamento para ilustrar e chamar a atenção dessa necessidade. Devemos, ainda, observar que provavelmente muitas delegações escolherão cidades próximas dos municípios-sedes para suas concentrações e treinos. Isso atrai os torcedores.
Qual sua avaliação sobre os projetos de modernização dos estádios?
Na nossa avaliação, os estádios são importantes. Só que a construção ou reforma dessas estruturas é a menos complicada entre os investimentos necessários. Com projetos executivos prontos, em 30 meses a obra pode ser entregue. Há previsão de que sejam injetados US$ 25 bilhões nas cidades que sediarão os jogos. Cerca de 10% a 15% desse montante serão investidos nos estádios.
Qual o prazo máximo para que o País consiga executar as obras?
Os projetos da Copa de 2014 têm que sair em 2009. Em março, com o anúncio da decisão da FIFA sobre as cidades-sede, não precisaremos sair correndo. Só que perdemos 2008 e uma abundância de capital. Agora, nenhum investidor realizará aportes sem um projeto muito consistente, que ainda não temos.
Clique aqui para acessar o estudo "Estado de Manutenção e Condição dos Estádios Brasileiros", do Sinaenco.
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