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27/Agosto/2008

Estudo indica viabilidade de shopping centers em cidades com até 200 mil habitantes


Retorno do investimento em centros comerciais regionais pode ocorrer em até sete anos. Pesquisa também avaliou o ciclo de vida, o impacto no entorno e os fatores de sucesso ou fracasso em 50 shoppings do País


Rafael Frank

As grandes cidades podem deixar de ser o principal mercado de shopping centers do País.  Apesar de as capitais brasileiras concentrarem 184 (50%) dos shoppings centers de grande porte, estudo indica que o investimento em centros comerciais regionais é rentável, uma vez que o retorno do capital empregado pode ocorrer em até sete anos.

O estudo analisou o ciclo de vida, o impacto no entorno e todos os fatores que influenciaram no sucesso ou fracasso de 50 shoppings no Brasil. A pesquisa foi realizada pela arquiteta e geógrafa Maria Luiza Fava Grassiotto, docente da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Segundo a pesquisadora, o sucesso de um empreendimento depende muito da formatação do projeto. "Por conta de falhas no projeto, um shopping center pode demorar três décadas para se consolidar ou até falir mesmo se localizado em uma região privilegiada em termos de população e de perfil sócio-econômico", diz.

Maria Luiza também observou que cidades acima de 200 mil habitantes, e com potencial para atrair visitantes num raio de 80 km, também têm condições de abrigar um empreendimento de porte regional sem grande risco para o investidor.

A pesquisa aponta que um shopping no modelo regional deve ter, no mínimo, 120 lojas. "Abaixo disso, não é possível compor um mix equilibrado de lojas que possibilite a compra comparada por segmento do varejo", diz a pesquisadora, que considera a questão importante para a fidelização do consumidor. O mesmo critério se aplica à praça de alimentação, que deve ter pelo menos 12 estabelecimentos com serviços bem diversificados.

As dimensões das lojas âncoras também foram avaliadas, constatando-se que há maior sucesso em uma área entre 800 e 5 mil m². Já a área ideal para unidades satélites, segundo a pesquisadora, deve variar entre 15 m² e 30 m². "A largura dos corredores deve ser de 9 metros para que a circulação dos consumidores e a área de descanso não fiquem prejudicadas, e ainda sobre espaço para quiosques", aconselha. Maria Luiza também observou que a distância entre o estacionamento e a entrada do shopping deve ser de até 150 metros.

A pesquisa será oficialmente apresentada no VIII Seminário Internacional da Sociedade Latino-americana de Real Estate (Lares), que ocorre de 3 a 5 de setembro na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.  O evento também contará com apresentações de outros 39 estudos sobre o setor imobiliário. Os temas variam desde a sustentabilidade dos empreendimentos ao mercado de ações de empresas de Real Estate, passando por aspectos que envolvem tanto os empreendimentos de base imobiliária (edifícios de escritórios, shopping centers, hotéis e galpões industriais) como o desenvolvimento habitacional e a gestão de edifícios.


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