O SindusCon-SP (Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) manteve a previsão de crescimento do setor em 10% para este ano, apesar da crise financeira. Para 2009, a estimativa é de 3,5% a 4,5% impulsionada pelas obras já contratadas em 2008.
Segundo o presidente do sindicato, Sérgio Watanabe, a construção deverá crescer mais que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "O investimento do Governo e os números do mercado imobiliário em 2008 são fatores que permitem um crescimento equivalente de 2007", afirmou.
O segmento imobiliário e de infra-estrutura lideraram as contratações. Até outubro de 2008, houve aumentos de 17,4% e 21,5% respectivamente, contra o mesmo período do ano anterior. "As obras estão em andamento, projetos lançados não pararão e com isso a crise praticamente não afetou os resultados da construção neste ano", complementa a economista Ana Maria Castelo, da FGV Projetos.
A consultora afirma que o ciclo longo da cadeia e as atuais incertezas do mercado financeiro mundial dificultam traçar um cenário futuro. Diante disso, foram esboçados dois possíveis panoramas econômicos pelo SindusCon-SP. O mais pessimista prevê um crescimento do PIB de 2,8% e de 3,5% para construção. No cenário mais otimista, os valores são 3,8% e 4,7%, respectivamente. "A construção civil representa cerca de 40% dos investimentos do País. A redução do investimento não será brusca", disse.
Segundo o presidente do SindusCon-SP, o empresário do setor está tranqüilo pela alta quantidade de obras contratadas para o início de 2009. "Até o final do primeiro trimestre do próximo ano, deveremos manter indicadores elevados ou próximos dos atuais. O real impacto da crise será dimensionado em março", afirmou Eduardo Zaidan, diretor de economia do Sindicato. A economista da FGV, Ana Maria Castelo, considera que empresas da construção que atendem os segmentos comerciais e industriais são as que deverão sentir os efeitos mais imediatos por terem um ciclo produtivo mais curto.
O SindusCon-SP considera a desaceleração positiva para o setor. "A construção brasileira não sustentaria outro ano com taxa de crescimento de 10%. A redução era esperada por gargalos da mão-de-obra, de materiais. Entretanto, não na dimensão e como ocorreu", disse Ana Maria. A economista da FGV aponta que os investimentos não devem cessar para evitar que o mercado retorne a índices desfavoráveis. "A construção civil acabará servindo como um amortecedor da crise financeira em 2009, por conta de seu potencial gerador de obras e emprego em todo País", finalizou Watanabe.