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| Materiais poliméricos, como o CPVC (foto), estão disputando mercado com os tradicionais tubos e conexões de cobre |
Escolher entre metais ou plásticos se tornou um dilema comum ao projetar sistemas de condução de água quente em uma edificação. Antes soberanos - e liderados pelo cobre - os metais hoje encontram nos materiais poliméricos, como os de PPR (Polipropileno Copolímetro Random), PEX (Polietileno Reticulado) e CPVC (Policloreto de Vinila Clorado) rivais à altura. Essa disputa, já acirrada, deve ganhar novo impulso com as boas perspectivas do mercado, especialmente num momento em que o conceito de sustentabilidade ganha força na construção civil.
A onda verde trouxe a demanda por sistemas de aquecimento de água com matrizes energéticas não baseadas em eletricidade. Tais sistemas vêm ganhando espaço no mercado nacional, no qual chuveiros e torneiras elétricas ainda predominam. Esse crescimento favorece o setor de tubos e conexões para essa finalidade, uma vez que a água é aquecida longe do ponto de saída.
Além disso, legislações ameaçam o domínio dos chuveiros e podem alterar a divisão atual do mercado ao gerarem um aumento natural da demanda por esse tipo de tubo. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a lei 14.459, sancionada em julho de 2007 pelo prefeito Gilberto Kassab, obriga a instalação do sistema de aquecimento de água com uso de energia solar em novas edificações. E não apenas em prédios comerciais, mas também em residências com três ou mais banheiros.
Ao projetar um sistema de aquecimento de água não elétrico, é necessário conhecer as especificações do material antes de optar por um tipo de tubo, que precisa ser resistente, ter longa vida útil, apresentar baixa rugosidade - para reduzir prejuízos na vazão - e oferecer bom coeficiente de condutibilidade térmica - para conservar a temperatura da água.
Os tubos de cobre cumprem esses papéis com qualidade há anos. A segurança em caso de incêndio está entre seus pontos fortes: além de resistente a temperaturas elevadas, emite poucos gases tóxicos em caso de contato com chamas. Um entrave, no entanto, é o preço da commodity, em alta no mercado internacional, o que impacta o preço do produto final.
Nos sistemas poliméricos, que também atendem aos requisitos básicos, os diferenciais são outros: maiores flexibilidade e leveza, menor custo e, além disso, mais facilidade de instalação, já que dispensam o uso de solda em emendas, essencial nas conexões de metal. Além disso, alguns materiais poliméricos como o PPR resistem a temperaturas de até 80°C.
Custo-benefício
Na prática, porém, em muitos casos o preço tem falado mais alto na hora na decisão. Especialistas alertam que o barato pode sair caro: "As tubulações de água quente representam entre 1% e 2% do custo total da obra, variando de acordo com o material utilizado. Um projeto malfeito ou uma construção mal-administrada tem um custo muito mais elevado", afirma o arquiteto Iberê Campos, integrante do conselho do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura. "As tubulações vão trabalhar por muitas décadas, e o acabamento das áreas molhadas, de longe o maior custo de uma edificação, é feito por cima delas. Economizar nos tubos comprando material barato é uma grande bobagem", adverte.
O engenheiro civil Racine Tadeu Araujo Prado, professor de engenharia de sistemas prediais da Universidade de São Paulo, concorda. Para ele, não há sentido em economizar com tubos. "O preço dos equipamentos do sistema de aquecimento escolhido tem um impacto várias vezes superior no orçamento final."
Isso quer dizer que o preço é o último fator a ser considerado ao estabelecer a relação custo-benefício, especialmente em construções de alto padrão.
Profissionalização
A crescente preocupação com os impactos ambientais das construções também chegou às instalações hidráulicas. Visando à redução do desperdício, muitos fabricantes concentraram seus esforços no desenvolvimento tecnológico das juntas e conexões. Esses avanços têm contribuído para a eficiência da montagem das instalações, cada vez menos artesanal. Com sistemas mais avançados, cresce também a necessidade de profissionalização da mão-de-obra de instalações hidráulicas. Esse gargalo, que na verdade faz parte de um desafio enfrentado em todos os segmentos da construção, já foi identificado pelas entidades e empresas do setor, que estão oferecendo variados cursos de qualificação.
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| "A instalação de um sistema de aquecimento encarece a obra, sem dúvida, mas o principal fator de aumento de custo não é a tubulação, e sim os outros equipamentos" Racine tadeu araújo prado |
ENTREVISTA - Racine tadeu araújo prado
Preço x qualidade
Quando o tema é tubulação para a condução de água quente, preço é sinônimo de qualidade?
A instalação de um sistema de aquecimento encarece a obra, sem dúvida, mas o principal fator de aumento de custo não é a tubulação, e sim os outros equipamentos. Por exemplo, um chuveiro elétrico de boa qualidade custa menos de R$ 100, enquanto o custo de um aquecedor de passagem e um misturador chega a R$ 1.000.
Mas, na ponta do lápis, ainda assim valeria a pena investir num sistema de aquecimento a gás?
O que se economizaria em eletricidade seria gasto em água. Por exemplo, num dia frio, você diminui a vazão de água pelo chuveiro elétrico para conseguir uma temperatura confortável. No chuveiro a gás, além do consumo maior, há uma perda no momento da recirculação, com a água fria que fica parada no cano.
Qual seriam as opções?
Uma é usar tubos com materiais que reduzam perdas de energia pela temperatura da parede. Outra é optar pelo aquecimento solar.
Mas a estrutura para aquecimento solar não é ainda mais cara?
É. O preço total para uma casa de quatro pessoas, incluindo o painel e o tanque, pode chegar a R$ 2.500. Mas é um investimento que se paga em dois ou três anos.
A legislação da cidade de São Paulo torna obrigatória a instalação do sistema de energia solar para aquecimento de água nas novas edificações da cidade. Qual foi o impacto no mercado?
A lei não levou em conta aspectos de viabilidade técnica complexos, como a necessidade de a casa ser voltada para o norte para o melhor aproveitamento. Se esse desvio for de 90%, o desempenho está comprometido. Há também fatores como o crescimento de oferta no mercado, com empresas nada especializadas.
Racine Tadeu Araújo Prado, professor-doutor do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC) da Poli-Usp (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)