As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo centralizam a maior parte dos pedidos de certificação de sustentabilidade para empreendimentos. Oficialmente, das 38 edificações brasileiras que iniciaram o processo de obtenção do Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) no site do USGBC (U.S. Green Building Council), 28 estão na grande São Paulo e outras cinco, na capital carioca.
Mas a concentração, no entanto, pode ser maior. O GBC Brasil (Green Building Council Brasil), braço brasileiro da certificação, informa que há uma defasagem na informação do GBC americano e que pode haver, na realidade, 68 projetos em processo de certificação, sendo a maioria de São Paulo e Rio de Janeiro. "Nossa expectativa é encerrar 2008 com cerca de 100 empreendimentos", informa Nelson Kawakami, diretor executivo do GBC Brasil.
As certificações, no entanto, deixam de ser quase exclusividade das duas cidades. Incorporadoras e investidores passaram a investir timidamente em outras localidades como aposta para agregar valor aos empreendimentos, branding e até mesmo para reduzir custos operacionais durante a vida útil.
A sede da Petrobrás em Vitória é um dos exemplos que mostra uma tendência de dispersão geográfica dos certificados. A estatal já registrou seu interesse junto ao GBC Brasil para obter a certificação de sustentabilidade. "Goiânia e Belo Horizonte também obterão o selo em breve. Hoteleiros da Paraíba e do Ceará também estão nos procurando muito", avisa Kawakami. De acordo com ele, houve ainda diversos contatos de empresas com projetos em Brasília, no Setor Noroeste, região que teve seu desenvolvimento criticado por não considerar fatores de crescimento urbano. O novo bairro terá 198 hectares com 281 unidades imobiliárias.
O selo americano também deverá certificar um empreendimento pela primeira vez em Curitiba. A capital paranaense é a terceira cidade da região Sul a entrar no processo para obter o Leed - as outras são Florianópolis e Porto Alegre. O Curitiba Office Park (COP), localizado no tecnoparque do município, espera obter a certificação completa. "Sabemos que o COP tem potencial para totalizar 61 pontos, o necessário para alcançar a certificação completa", afirma Juliana Malho, executiva da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield que auxilia o empreendimento triple A a obter o selo.
Segundo Eduardo Schulman, diretor da Top Imóveis, uma das empresas investidoras do COP, a diminuição do condomínio será um importante diferencial. "Fora de cidades com valores de aluguel mais elevados, essa taxa acaba representando um percentual significativo dos gastos, pois os clientes somam os valores do aluguel e do condomínio. O metro quadrado em Curitiba custa em média R$39", informa. Para o diretor, o investidor não está preso apenas a números, mas também busca desenvolver possíveis mercados dentro de importantes tendências, como os edifícios verdes. Apesar disso, Schulman não considera que haja uma mudança no mercado imobiliário comercial da cidade. "Ninguém sinalizou que pagaria a mais por estar em um empreendimento sustentável, mas precisamos oferecer a opção, é uma tendência muito forte".
Manuel Martins, coordenador executivo do selo de sustentabilidade Aqua também registra esse processo de descentralização de empreendimentos certificados. "Temos várias propostas para resorts em Pernambuco e Rio Grande do Norte e também percebemos interesse demonstrado por empreendedores de Goiás e Santa Catarina", afirma. A certificação, baseada na francesa HQE (Haute Qualité Environnementale), também notou grande demanda de informações para empreendimentos na Bahia e no Rio Grande do Sul. "Claro que temos também várias propostas e demonstrações de interesse em São Paulo, mas há um interesse de diversas regiões e ainda não consigo traçar um perfil geográfico", finaliza.