As empresas locadoras de equipamentos da linha amarela, como caminhões, escavadeiras e tratores, afirmam que os atrasos nas obras do país estão gerando uma crise no setor. Além disso, a inadimplência nos contratos e as reduções no custo horário também teriam contribuído para a piora do cenário.
Segundo dados da Associação Paulista dos Empreiteiros e Locadores de Máquinas de Terraplenagem e Ar Comprimido (Apelmat) e do Sindicado das Empresas Locadoras de Equipamentos e Máquinas de Terraplenagem do Estado de São Paulo (Selemat), 60% da frota de pequenas e médias empresas de São Paulo estão paradas.
As instituições reúnem 1800 profissionais do setor, somando uma frota de 15 mil equipamentos. No ano de 2010, o faturamento total destas empresas foi de R$ 1,2 bilhões. A expectativa para esse ano, porém, é de aproximadamente R$ 840 milhões.
De acordo com a Apelmat, a expectativa de demanda fez com que os locadores passassem a investir mais na compra de máquinas desde 2010. Porém, o atraso em obras como o Trecho Norte do Rodoanel, a expansão do Porto de Santos e a ampliação de aeroportos fez com que o setor entrasse em crise. A empresa Wandy Rental, por exemplo, está com 60% de sua frota parada.
Outro fator agravante da crise é a inadimplência nos contratos de locação. A Apelmat afirma que algumas empresas já retiraram suas máquinas em obras de São Paulo, Minas Gerais e Goiás devido à falta de pagamento.
Uma dessas companhias é a Loctrator, que afirma trabalhar em outros oito estados - além de São Paulo - em pedreiras, mineradoras e construção de portos e estradas. Ainda que estas obras ajudem a empresa durante a crise, a Loctrator considera que trabalhar em São Paulo é menos oneroso, pois os custos operacionais com fretes e estrutura de manutenção são muito altos quando se aluga equipamentos para outros estados.
A Apelmat também considera a queda nos preços por hora de locação mais um ponto negativo decorrente do atraso das obras. Empresas como a Wandy Rental e a Loctrator tiveram que reduzir seus preços em até 30% para conseguir trabalhos. O resultado foi a queda de aproximadamente 40% no faturamento das locadoras, que precisaram demitir grande parte do quadro de funcionários.
As empresas acreditam que a crise do setor de locação de equipamentos se deve por ineficiência estatal, tanto federal e estadual. Elas afirmam que o que falta é uma gestão eficiente, que acelere os trâmites burocráticos e fiscais dos projetos.