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| Fotomontagem mostra como ficará a Marginal Tietê após a ampliação |
A obra de ampliação da Marginal Tietê, em São Paulo, reacendeu a discussão sobre a importância de projetos que priorizam a circulação de automóveis e o seu impacto urbanístico na cidade. Governantes defendem que desafogar o trânsito é uma necessidade maior. Já alguns especialistas preferem dizer que os investimentos em transporte coletivo resolveriam de forma mais eficiente o problema nas grandes metrópoles. O assunto é tema da matéria de capa da revista aU de fevereiro.
O projeto em execução prevê a construção de três novas pistas em cada sentido da Marginal, além de novas alças próximas a ponte das Bandeiras, da avenida Cruzeiro do Sul e da ponte do Tatuapé. Também serão construídos três viadutos na saída da avenida Santos Dumont, no final da rodovia Presidente Dutra e da avenida Salim Farah Maluf.
O custo do projeto é de R$ 1,8 bilhão, o que já se equipara ao orçamento para a implantação de uma linha de metrô, defendida por especialistas como mais eficiente. De acordo com eles, o número de pessoas beneficiadas com aumento de investimentos no transporte coletivo é muito maior do que daquelas que utilizam carros e táxis.
A falta de discussão do projeto na sociedade e o seu impacto negativo para a mobilidade urbana levaram inclusive o IAB-SP (Instituto dos Arquitetos do Brasil - Departamento São Paulo) a fazer um Manifesto de Repúdio às obras da Marginal. De acordo com o documento, assinado pelo arquiteto Vasco de Mello, "em total contradição com o projeto do Rodoanel - que corretamente objetiva desafogar o tráfego veicular da área urbana do município -, a ampliação do número de faixas de rolamento da Marginal do Tietê constitui-se num indutor à circulação de veículos na área central da cidade, negando todo o embasamento conceitual do tráfego que guiou os estudos de implantação do Rodoanel".
A priorização de investimentos para aumentar a circulação de carros já começa a ser realidade não só em metrópoles, como também em pequenas cidades. Psicólogos, jornalistas, urbanistas e pesquisadores deram suas opiniões sobre o presente e o futuro dos automóveis na cidade e na vida das pessoas na edição de fevereiro da revista aU. Confira alguns depoimentos:
"Existem muitos fatores associados à posse do automóvel que o tornam opção preferencial. Associado à melhoria do transporte público é necessário implantar restrições à circulação dos automóveis, como os rodízios, pedágios urbanos, áreas de circulação exclusivas do transporte público, bem como incentivos ao transporte não-motorizado, restrições de estacionamento nas áreas críticas etc., como já ocorre em várias cidades do mundo".
Carlos Alberto Bandeira Guimarães, professor do Departamento de Geotécnica e Transporte da Unicamp.
"O automóvel é um meio de locomoção auxiliar e não o principal. Por isso, os investimentos no transporte coletivo devem ser em qualidade e em quantidade".
Marcio Fortes, Ministro das Cidades
"É evidente que se houvesse a opção de um transporte urbano razoavelmente confortável, a hipótese de reservar o carro para os momentos de lazer seria cogitada até mesmo por quem mais gosta de dirigir. Seria mais econômico, confortável e exporia tanto o motorista como seu objeto de paixão a menos riscos".
Sérgio Berezovsky, diretor de redação da Revista Quatro Rodas
"Bons sistemas de transporte público são essenciais para reduzir a dependência do automóvel, mas não são suficientes. É preciso também adotar medidas restritivas ao transporte individual motorizado".
Paulo César Marques, professor de mestrado em Transportes na Universidade de Brasília
"A melhoria do transporte público, embora seja algo muito bom, não será suficiente para o brasileiro abandonar seu veículo. De que vale um bom transporte público se as pessoas não estiverem dispostas a usá-lo ou a experimentar a mudança?".
Fábio de Cristo, doutorando em psicologia no Laboratório de Psicologia Ambiental (UnB) e autor do Blog Psicologia e Trânsito.
Dê sua opinião no Fórum da aU: Como reverter o fascínio dos moradores dos centros urbanos pelo automóvel? Basta melhorar o transporte coletivo?