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18/Agosto/2008

Nova York ganha parque público sobre linha férrea


Projeto assinado pela Field Operations e pelo escritório Diller Scofidio + Renfro prevê a construção de um parque público com áreas verdes, deques e parque infantil sobre um antigo elevado férreo de 2,5 km


Andressa Fernandes

Soluções para estruturas urbanas indesejadas causam sempre polêmicas - em São Paulo, um bom exemplo foi o concurso para a revitalização do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, realizado em 2006.

O projeto vencedor, de Juliana Corradini e José Alves (Frentes Arquitetura), previa a construção de um parque elevado sobre as pistas, que seriam "encaixotadas" com uma estrutura metálica e receberiam tratamento acústico e ventilação especial.

Construído nos anos 90, o parque Promenade Plantée, em Paris, transformou um elevado ferroviário de cerca de 4,9 km em uma passarela para pedestres. Agora é a vez de Nova York: a construção de um parque elevado foi a proposta adotada no High Line, atualmente em construção no oeste de Manhattan, em Nova York - a primeira fase deve ser entregue no fim de 2008. 

O projeto, assinado pela Field Operations e pelo escritório Diller Scofidio + Renfro, prevê a construção de um parque público com áreas verdes, deques e parque infantil sobre um antigo elevado férreo de 2,5 km que passa entre alguns prédios ao longo de 22 quarteirões. Construída entre 1929 e 1934, a ferrovia perdeu a utilidade com o desenvolvimento das estradas interestaduais que cortam os Estados Unidos, sendo desativada em 1980. O elevado foi tomado pelo mato nos últimos anos - uma espécie de "prévia desorganizada" do visual que deve ocupá-lo em breve.

A iniciativa de revitalizar o elevado ganhou força com a Associação Amigos da High Line (Friends of the High Line), uma organização não-governamental fundada em 1999. O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giulianni, chegou a autorizar a implosão da estrutura, mas com forte apoio da população a associação conseguiu reverter a situação. Após o concurso para escolha do projeto, em 2003, a prefeitura da cidade reservou 50 milhões de dólares para estabelecer o parque - hoje, o orçamento é de 170 milhões de dólares, montante obtido com os governos federal e municipal, além de doações privadas.

Para Juliana Corradini, uma das autoras do projeto para São Paulo, estruturas elevadas em desuso têm um potencial muito grande de transformação. "A idéia é transformar uma via em algo inédito para a cidade.  É utilizar o potencial de transformação e pensar em outro aproveitamento para a estrutura", completa.

Há também quem aposte no desmonte - ainda que seja uma solução mais cara e complexa. O Escritório Experimental do Mackenzie, por exemplo, elaborou na época do concurso para o Minhocão uma proposta para o desmonte do viaduto (AU 156). "Propusemos o desmonte pelo fato de estar em uma área central histórica e porque ele degrada brutalmente seu entorno", afirma a professora Anne Marie Sumner, coordenadora do projeto.

Para Anne Marie, os parques elevados são uma solução paliativa, que não resolvem  o problema urbano. "Não acredito em parque elevado, acho que as pessoas andam no chão. A praça e o parque são um ponto de encontro dos cidadãos em todas as direções. Essa ligação multidirecional, de poder acessá-la por todos os lados, é que é a maravilha da praça pública", critica. "A idéia de um parque vertical é uma maquiagem, um paliativo - e paliativo é do que o Brasil  não precisa", completa.

Dê sua opinião sobre os parques elevados em desuso no fórum: Qual deve ser a solução para vias elevadas urbanas, já em desuso?

Confira imagens do High Line:

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